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ActHope

Por sinal, amanhã estarão novamente se reunindo em um ato pacífico. Aí vai o aviso que está girando pela web:
Demain Samedi 4 Avril à 15H, manifestation pacifique devant Notre Dame de Paris en soutien à notre Saint Père. Tous les réseaux catholiques seront mobilisés et unis pour défendre nos convictions et nos valeurs. Nous constituerons un cordon humain devant la Cathédrale pour défendre symboliquement notre lieu de culte.
De nombreux médias seront présents pour relayer notre message.
ACT'HOPE
Geoffroy de Varenne
Frédéric d'Orval
Sophie Marin.
A "leggenda nera" de Pio XII em xeque
Vattimo: "o cristianismo nos deixa como herança precisamente o liberalismo e a laicidade"
Gianni Vattimo: Liberdade. Uma herança do cristianismo
Em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line, o filósofo italiano Gianni Vattimo fala sobre a necessidade da religião para uma sociedade laica e liberal e afirma que “sociedade liberal e sociedade laica são resultados de uma pertença religiosa da qual nos libertamos aos poucos, conservando, no entanto, muitos traços dela, que constituem seu sustento”.
Em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line, o filósofo italiano Gianni Vattimo afirma que “sociedade liberal e sociedade laica são resultados de uma pertença religiosa da qual nos libertamos aos poucos, conservando, no entanto, muitos traços dela, que constituem seu sustento”. Ao defender a importância da liberdade e de sua relação com a Igreja, ele declara que “o cristianismo nos deixa como herança precisamente o liberalismo e a laicidade; trair estes valores, como frequentemente fazem as igrejas, significa trair a própria religiosidade”. E completa: “Eu sinto como dever cristão ajudar a Igreja a se libertar destes resíduos de poder temporal e a se tornar uma verdadeira defensora da liberdade”.
Estudioso do pensamento de Nietzsche, Heidegger e Gadamer, Vattimo é conhecido como o mentor do "pensamento fraco". De sua produção intelectual, destacamos, Credere di credere (Milano: Garzanti, 1996), O fim da modernidade: niilismo e hermenêutica na cultura pós-moderna (São Paulo: Martins Fontes, 1996) e Depois da cristandade. Por um cristianismo não religioso (São Paulo: Record, 2004).
Gianni Vattimo estará na Unisinos no próximo dia 15 de setembro, quando irá ministrar a conferência “A narrativa de Deus na sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades”, durante o Simpósio Internacional Narrar Deus numa sociedade pós-metafísica. Possibilidades e impossibilidades, promovido pelo IHU.
IHU On-Line - O senhor defende um espírito religioso na história e argumenta que sem isto não existe uma verdadeira república. Por que e em que sentido a religião se torna importante para garantir a existência de uma sociedade laica e liberal?
Gianni Vattimo - Convenço-me sempre mais de que, no espírito religioso, há um componente de “nostalgia”, como quando se festeja o Natal, recordando a nossa infância, as orações aprendidas da voz da mamãe. A religiosidade é sempre, em certo sentido, uma “origem”, um passado que nos marca, como um patrimônio do qual vivemos consumindo-o, transformando-o, secularizando-o. Este passado serve para construir uma sociedade liberal? Direi que sim. Como escreve Nietzsche: “ainda é preciso ter sido religioso...”; sociedade liberal e sociedade laica são resultados de uma pertença religiosa da qual nos libertamos aos poucos, conservando, no entanto, muitos traços dela, que constituem seu sustento. É preciso ter uma religião ou uma família para trair, para poder ser verdadeiramente livre. É como se cada um de nós devesse, para tornar-se liberal, retraçar em si a história da secularização: ontogênese que repete a filogênese, ou como a Fenomenologia do espírito, de Hegel...
IHU On-Line - Quanto ao espírito religioso, quais são os ensinamentos que ele oferece à sociedade ocidental? Como pode contribuir para uma ética na política?
Gianni Vattimo - Não creio que se possa falar do espírito religioso em abstrato. Só posso falar dele em referência à minha – nossa – herança religiosa: cristianismo, judaísmo etc. É verdade que, na religiosidade, como a aprendemos do Cristianismo, há aquilo que Schleiermacher chamava de “o puro sentimento da dependência” – sou criatura, provenho de, não me criei por mim... Será este um traço universal da religião? Não estou seguro de que posso afirmar isso. Por exemplo, o sentido do sagrado, como o descreve Rudolf Otto (numinosum, fascinans, tremendum), já me parece um tanto diferente. Se eu penso no cristianismo e em suas origens judaicas, direi que o que a nossa religião tem a ensinar à política é o espírito de caridade, ou também o que Schopenhauer chamava de altruísmo, a vitória sobre a vontade de sobrevivência a todo custo etc.
IHU On-Line - Sobre questões polêmicas como a pena de morte, o aborto e a eutanásia, por exemplo, Estado, Igreja e diversas religiões entram em conflito devido a ideologias opostas. Neste sentido, como deve prosseguir a relação entre Estado, Igreja e religiões? Como garantir a liberdade em momentos de conflito?
Gianni Vattimo – Precisamente, o liberalismo que herdamos da secularização cristã oferece uma guia neste caso: o valor da pessoa humana (também os cabelos de vossa cabeça estão contados, diz Jesus...) é a liberdade. Não há “verdade” objetiva ou valor supremo que esteja acima disto (Que dará o homem em troca da alma – ou seja, de sua liberdade?). O Estado deve funcionar segundo leis que tenham o consenso exclusivamente em sua base – e, naturalmente, isto é sempre um efeito a ser ainda aperfeiçoado, pois todos nascemos numa ordem social já dada que, no entanto, devemos ter o direito e os modos de modificar, reconstruir, por em discussão. Uma Igreja é a comunidade dos crentes que se reúnem para rezar e exercitar de todas as formas o amor de Deus e do próximo. Como cidadãos, agirão na política segundo aquilo em que creem. Mas, pelo mesmo respeito à liberdade que devem ter aprendido de seu patrimônio cristão, eles respeitarão esta liberdade de todos. O cristianismo nos deixa como herança precisamente o liberalismo e a laicidade; trair estes valores, como frequentemente fazem as igrejas, significa trair a própria religiosidade.
IHU On-Line - O que deveria fazer parte da relação entre Estado e Igreja? Como estas instituições podem ajudar no sentido de construir uma sociedade mais solidária e ética?
Gianni Vattimo - Estado e Igreja não são duas essências estáticas, são instituições históricas que mudam e se transformam. Hoje, em geral, no mundo cristão-ocidental, a relação tende a se configurar frequentemente como um conflito: a Igreja (falo também e, sobretudo, da italiana) exercitou na história da Europa e do Ocidente um poder também temporal que tinha suas razões (a queda do Império romano, a necessidade de certa autoridade estável), as quais hoje são obstáculos à liberdade. Eu sinto como dever cristão ajudar a Igreja a se libertar destes resíduos de poder temporal e a se tornar uma verdadeira defensora da liberdade.
IHU On-Line - Por que, a seu ver, independente de religiões ou crenças, a humanidade carece de ações de caridade?
Gianni Vattimo - Entrará aí o “pecado original”? Eu tendo a identificar o mal com o domínio, a vontade de opressão, o instinto da posse, que parecem depender da vontade de conservar-se e intensificar a própria vida. A ideia de que haja uma vida além da morte, ou, de certo modo, um sentido da história que não se identifica com a minha existência individual no mundo, deve funcionar como um limite à violência. A humanidade, como a conheço, é assim, não sei se dependeria do pecado de Adão (mas, também este, de onde vinha?). O que posso fazer é procurar limitar, em mim e no mundo, a violência que se exerce por toda parte.
IHU On-Line - Se cada ser humano tem uma percepção pessoal sua sobre vida, morte, moral, costumes, que leis devem reger este Estado laico? Na prática, é possível separar domínio público e domínio privado? Como garantir a dignidade humana de escolha?
Gianni Vattimo - Também aqui não creio que haja soluções universais. Há jogos de forças históricas, que deveriam se voltar para o respeito da liberdade de escolha de cada um, a fim de que esta não lese a igual liberdade de todos. Liberalismo, mais uma vez, com a consciência de que não existe jamais, estaticamente, uma ordem da liberdade, pois ela é sempre de novo conquistada. A existência, como ensinava Heidegger, é sempre projeto, jamais conservação de uma ordem ideal.
IHU On-Line - Também se muitos percebem o secularismo (ou a secularidade) como uma oportunidade a fim de que a religião volte a viver no coração dos homens, e não como um trabalho anti-religioso, como o senhor percebe o diálogo entre os cristãos e esta pluralidade de religiões?
Gianni Vattimo - Creio que o encontro com outras religiões, como com outras visões filosóficas do mundo ou outras morais, me constrinja utilmente a tomar consciência da finitude de minha colocação histórica. Posso ser sinceramente crente e sinceramente relativista? Creio que sim, e até creio dever sê-lo. Estou sempre disponível a ser desmentido. Naturalmente, para resistir nesta condição, devo ser aquilo que Nietzsche chamava de “um super-homem”, mas Jesus o chamaria somente de um homem caritativo, que mantém a porta de sua casa aberta a todos.
Reflexos de Nínive
"Todas as tuas fortalezas são figueiras,
carregadas de figos maduros;
à menor sacudida caem
numa boca voraz.
Olha tuas tropas:
só há mulheres em teu meio
As portas de tuas terras estão escancaradas
para teus inimigos:
o fogo devorou tuas trancas.
Tira água para o assédio, reforça tua defesa,
vai pela lama, rebolca-te no barro,
segura o molde de tijolos!
É aí que o fogo te devorará,
que a espada te eliminará; - como gafanhotos,
te devorarão" (3, 12)
As palavras de Naum parecem ser destinadas não só aqueles habitantes de Nínive, mas a todos os homens de todos os tempos, pois, cada qual em seu tempo e lugar, temos por esta cidade a natalidade de nossa fraqueza em repelir o mal. Nossas quedas constantes. O mal se manifesta a todos, e às vezes somo nós mesmos seus instrumentos. E somos presas fáceis na medida em que nossas "trancas" foram derretidas pelo fogo e nossas portas estiverem abertas. Tal texto levou-me à mais profunda tristeza, aquela na qual nos faz saber dos nosso limites frente ao mal que nos assola... Todos nós descendemos de Nínive!
