Desculpas insuficientes, diz Vaticano

As desculpas de Richard Willianson são insuficientes, de acordo com o Vaticano. Quem dá a notícia é o Corriere della Sera e o La Repubblica.

Willianson desculpa-se

Richard Willianson está de volta à Inglaterra e pede perdão, segundo o ZENIT, sobre suas declarações negacionistas. Afirma que "observando essas consequências, posso verdadeiramente dizer que lamento ter feito essas observações, e que se eu soubesse de antemão todo dano e dor que elas dariam origem, especialmente para a Igreja, mas também para os sobreviventes e parentes das vítimas da injustiça sob o Terceiro Reich, eu não as teria feito". Também o Le Figaro e o Corriere trazem a notícia.

O Vaticano II em imagens

Vídeo interessante da RAI sobre Concílio Vaticano II. O texto que corre ao fundo não é o dos melhores, porém vale as imagens.


Música brasileira para o carnaval

"Agitation croissante aux alentours du Concile"


As palavras do título do post, de Henri de Lubac, nos dão o panorama sobre esses 50 anos de convocação do Vaticano II: conflito interpretativo sem fim. Em vista da edição do novo livro da "Escola de Bologna", organizado pelo teólogo Giuseppe Ruggieri e pelo historiador Alberto Melloni, "Chi ha paura del Vaticano II" (Edizione Carocci), Sandro Magister publica na Chiesa Espresso, um diálogo muito pertinente entre supostos mestres e alunos, escrito por Francesco Arzillo. De acordo com Magister, Ruggieri e Melloni dizem que o livro não é uma apologia da "Storia del Concilio Vaticano II", obra mais lida em todo o mundo sobre o tema e que é marcada por leitura descontínua do evento conciliar. Contudo, a partir de sua leitura é possível deduzir que "são eles [ os intelectuais de Bologna] os heróicos sentinelas da justa interpretação do Concílio; são eles que não têm "medo" e preservam a sua verdadeira "novidade"; são eles a fazerem aquilo que nem mesmo Bento XVI faz mais: muito diferente em respeito ao jovem Ratzinger que escrevia os discursos explosivos lidos no concílio pelo cardeal Frings".
Abaixo publico todo o "provável diálogo". Fiz uma tradução livre cortando algumas partes . Quem quiser pode conferir o original em italiano no site indicado.


Breve diálogo sobre o concílio, entre um mestre e um aluno

di Francesco Arzillo

O mestre (M.) é um professor de teologia sexagenário, moderadamente progressista, disposto a dialogar com todos; se irrita só com quem aparece pouco propenso a valorizar plenamente o concílio da sua juventude, que ele recorda nos tumultuosos anos de seminário.

O aluno (A.) é mais jovem e não um clérigo; é um pouco irreverente, nunca, porém, sobre o magistério eclesiástico; muitos o consideram um ultraconservador; mas mesmo os tradicionalistas o criticam porque consulta – mesmo se com cautela – os escritos teológicos de Henri de Lubac e defende sempre João XXIII e Paulo VI


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M. – Oi! Sempre com um livro nas mãos. Vejamos um pouco a sua última aquisição.

A. – Ei-lo: “Quem tem medo do Vaticano II?”, organizado por Alberto Melloni e Giuseppe Ruggieri.

M. – Surpreendi-me. Lê Melloni e os teólogos católicos-progressistas por você sempre criticado. Entendo: o titulo do livro referiu-se a seu sentimento de culpa e quis espiar.
A. – Mestre, vejo que não perdeu o hábito de sobrepor a psicanálise à teologia. Eu não tenho sentimento de culpa, ao menos sobre este ponto. Você sabe que tenho sempre aceito com todo o coração o Vaticano II. Como se pode falar hoje da Igreja sem a “Lumen gentium”? Ou da Revelação divina sem a “Dei Verbum”? ou da liturgia sem a “Sacrosanctum Concilium”?
M. – Então, aonde está o problema?

A. – O problema é esta interminável disputa sobre o Concílio, nesse intricadíssimo conflito de interpretações. Certo, os ensaios contidos nesse livro são bastante refinados, contém pontos interessantes, se confrontam com as indicações de Bento XVI. Mas...
M. – Mas?

A. – Eles me evocam a mente – ao menos em parte – ambientes, climas e lugares comuns daquela área católico-progressista que tende a fazer do Concílio um mito. Mas temporizo, não quero etiquetar os autores, uso um indicador ideal-típico e orientador.
M. – A verdade é que você diz que aceita o Concílio, mas com uma reserva mental, porque crítica quem luta pelo Concílio.
A. – Vejo que fala de uma batalha? Eis, propriamente este é o ponto, esta excitação de alguns durante e depois do Concílio, este clima de luta contínua, esta “agitation croissante aux alentours du Concile”: palavras não minhas mas do cardeal Henri de Lubac. E depois este modo de contar a história! A famosa “semana negra”... Mas o que significa? Qual é o valor heurístico desta expressão? Nenhum! Se leio a memória de um ajudante de campo de Napoleão em Waterloo posso compreender que fala de “dias negros”; mas de um historiador contemporâneo, esperava um tom mais calmo, que me faça entender. Ainda de Lubac, no seu livro "Entretien autour de Vatican II", publicado em 1985, fala de uma “linguagem histórico-maniquéia” “qui sous un mode mineur s'est assez largement répandu". Ou não te vai mais bem de Lubac, aquele que sempre me disse com indesconfiável admiração?

M. – Uma historiografia neutra não existe

A. – Sim, mas é bom ao menos ser pacato. E, de qualquer forma, falo de uma supervalorização que não é só autobiográfica e historiográfica. Mas é também filosófica, ousaria dizer.

M. – O que é?

A. - Veja, tomemos como exemplo o problema do “espírito” e da “letra”.

M. – Não vai me dizer que os documentos conciliares deveriam ser lidos somente segundo a letra!
A. – Porque quer banalizar o discurso? É verdade que a letra tem que ser sempre levada em consideração, mas não é, de qualquer forma, suficiente para uma hermenêutica completa. Sobre isto concordam os juristas romanos Celso e São Paulo. O que me basta.
M. – E então?

A. – Depende do que entendemos como “espírito”. Quem entra em jogo na supervalorização. Tome por exemplo Hegel a Jena. Era claramente sobrevalorizado: em Napoleão via a História que passa a cavalo... Recorde aquele passo da “Lições di Jena”, que não por acaso foi também citado do negativista Kojève aquele escrito da sua “Introdução a leitura de Hegel”? Recorda o tom? “Senhores! Encontramo-nos em uma época importante, em um fermento no qual o Espírito fez um passo avante. Superou a sua precedente forma concreta e adquiriu uma nova...”. Eis, quando eu leio certos teólogos, certos historiadores de hoje, não posso fazer menos do que pensar naquele tom ali.
M. – Você insinua, alude e não conclui. Não é pois uma questão de tom!

A. – Não está me dizendo até que ponto se trate somente de tom, ou de legítima assunção de pontos teóricos, ou de capitulação à lógica imanentista. Cada autor é diverso do outro.

M. – Voltemos ao Concílio. Você cita o jurista romano Celso, insiste sobre o texto, e negligencia o evento.

A. – Outra palavra-chave: o evento. Hegel? Heidegger? Pareyson?

M. – Mas deixe os filósofos!
A. – Não deixo nada! Vocês teólogos de hoje conhecem pouco a filosofia, querem fazer uma teo-logia sem “logos”, a-filosofia ou trans-filosofica. Mas frequentemente é só retórica. E depois a coisa pior é aquela de ser influenciados por Hegel sem nem mesmo ser conscientes disso. Se Hegel estivesse entre nós estaria surpreso pelo grande número de seus descendentes intelectuais, dos filhos... [...] É difícil encontrar algum que não salte de São Tomás a Rahner, omitindo aquilo que está no meio! Hoje se pode diplomar em teologia sem saber, nem mais ou menos, nada de Scoto, de Suarez, de Melchior Cano, de Caietano. Pergunte a dez recém-formados se ouviram alguma vez falar de Scheeben, e diga-me se encontra mais de um par que te respondam afirmativamente.
M. – Agora está exagerando.

A. – Tem razão. Acalmo-me.
M. – O evento! Pense a teologia, pense a “Dei Verbum”: Deus se revela através de eventos e palavras intimamente conhecidas entre eles...
A. – Claro que penso a teologia! Penso na Revelação divina culminante em Cristo, na qual Deus nos disse tudo. Essa é completa, mesmo se não ainda completamente explicitada, como recorda o Catecismo no parágrafo 66. E depois o parágrafo 83: a tradição “vem dos apóstolos e transmite o que estes receberam do ensinamento e do exemplo de Jesus e o que receberam por meio do Espírito Santo”. Seria errôneo pensar em uma evolução histórica. Não é a realidade revelada por Deus que se modifica ou se evolue; é a inteligência de quem crê que cresce aprofundando-se. Se isto é verdade, o Evento único é Cristo, não existe uma idade do Espírito que supera aquela de Cristo.

M. – Poupe-me a história de Gioacchino da Fiore, por favor.
A. – E porque não? Se queremos propriamente procurar o evento epocal pensemos em São Francisco! Quem foi mais epocal que ele, pelo inteiro segundo milênio? Sobre este poderíamos ser de acordo todos, conservadores, progressistas, até mesmo muitos não crentes. Mas a interpretação de quem via em Francisco a inauguração da idade do Espírito foi justamente negada. O próprio Francisco não teria sido estúpido, ele via só Cristo e a Trindade, em tudo.
M. – Mas a historiografia franciscana é complexa. É preciso levar em conta a política de São Boaventura ao narrar a história do fundador...

A. – Mas qual política! Já este uso do termo, referido a um âmbito que um medieval não teria nunca qualificado como “político” [...] porque é fruto de uma má hermenêutica. Se leio os eventos teológicos, filosóficos e jurídicos daquele tempo com a lente do panpoliticismo moderno, se considera “político” todo âmbito do real. Belo modo de calar-se em uma outra época, da parte de quem fala em continuação da história e de historicidade!
M. – Resumindo: onde quer chegar?

A. – Quero só dizer que devemos acabar com essa história de evento epocal. Não existem eventos epocais, em estreito rigor lógico e teológico. Aquela de evento epocal arrisca-se a ser só uma retórica boa para a “mobilização”, uma forma de cripto-ideologia.
M. – Mas o que quer? O eterno retorno do mesmo?

A. – Não. Agostinho demonstrou que o ciclo pagão foi superado para sempre. Trata-se, aliás, de saber ver o Eterno no tempo, que abre um ponto no tempo, “aquele” ponto no tempo, encarnando-se.
M. – Você voltou...

A. – Retorno às fontes. E a Fonte.
M. – Mas o Evento único revive hoje ou não?

A. – Ele é completo. O tempo é completo, veja Marcos 1,15. Mesmo se esperamos sua plena manifestação.

M. – E o Concílio Vaticano II? Te ajuda ou não no caminho?

A. – Claro que me ajuda! Ele, porém, pressupõe o Evento único e a sua definição dogmática irreversivelmente completa nos primeiros sete concílios ecumênicos. Entende que não posso pensar em um evento que “de-calcedoniza” Cristo – isto é, lhe tire aquilo que foi definido dele em Calcedônia – para inculturá-lo na modernidade.
M. – Mas ninguém quer isso!

A. – Aparentemente quase ninguém. Certamente não quer o Vaticano II, que não desejou inovar a fé, como sustentam especularmente, com escopos opostos, as versões extremas do tradicionalismo e do progressismo. Mas pergunto, porém, quanto arianismo tendencial e virtual está hoje em giro, quanto querem humanizar Jesus. Penso por exemplo nos críticos da “Dominus Iesus”, que em 2000, quis relembrar o abc da cristologia. Pergunto-me: quem tem medo dos concílios de Nicéia, de Éfeso, de Calcedônia?

M. – O seu expediente é retórico. Você hierarquiza os concílios para tirar vida do Vaticano II.
A. – Não. Mas me parece que hoje estão em jogo os fundamentos da fé [...]

M. – Chega, estou cansado. Volto pra casa e leio alguma coisa do meu livro Jornada de uma alma, de Ângelo Giuseppe Roncalli.

A. – Que coincidência, também o estou lendo...

Duas recensões sobre o livro podem ser lidas aqui.

Paulo VI e a hermenêutica contínua


Alguns dizem que Bento XVI é aquele papa que nega os aspectos "reformistas" do concílio. Vejam abaixo o que nos diz Paulo VI em uma conferência pronunciada em 12 de janeiro de 1966, nem um mês da conclusão do Vaticano II.


"Mas, atenção! Os ensinamentos do Concílio não constituem um sistema orgânico e completo da doutrina católica. Esta, como todos sabem, é muito mais ampla, e não é posta em questão pelo Concílio, nem substancialmente modificada. Muito antes, confirma-a o Concílio, pôe-na em luz, defende-a e desenvolve-a, constitui uma apologia dela particularmente autorizada, transbordante de sabedoria, de vigor e de confiança. E este aspecto doutrinal do Concílio é que devemos em primeiro lugar salientar para honra da Palavra de Deus, que permanece sem equívoco e para todo o sempre, qual luz que não se apaga, e para conforto de nossas almas, que, pela voz clara e solene do Concílio, sentem o papel providencial que Cristo confiou ao magistério vivo da Igreja, em mira a preservar, a defender e a interpretar o ‘depósito da fé’. Não devemos dissociar os ensinamentos do Concílio do patrimônio doutrinal da Igreja, senão, antes, ver como eles se inserem neste, como são coerentes com ele, e como o seu contributo constitui, para esse patrimônio, ao mesmo tempo um testemunho, um desenvolvimento, uma explicação, uma aplicação. Então, até mesmo as ‘novidades’ doutrinárias ou normativas do Concílio aparecem em suas justas proporções, já não suscitam objeções concernentes à fidelidade da Igreja à sua função de ensinar, e adquirem esse verdadeiro significado que a faz resplandecer de uma luz superior. Não estaria, pois, na verdade os que pensasse, que o Concílio representa, em relação ao ensino tradicional da Igreja, uma separação, uma ruptura ou mesmo no dizer de alguns, uma liberação, ou que o Concílio autoriza e promove um conformismo de facilidade com a mentalidade de nosso tempo [...]”.


Hans Küng: que Bento XVI se demita!

Alguns teólogos alemães, entre eles, aqueles mesmos que estiveram com Joseph Ratzinger como teólogos peritos no Vaticano II, levando à frente o tão necessário aggiornamento, afirmaram que a única coisa que o papa Bento XVI faria de bom seria pedir a própria demissão. Hermann Häring e Hans Küng fizeram essa sugestão ao pontífice. (veja aqui e aqui) A radicalidade de Küng não assusta. Ressentido por ter sido afastado de suas atribuições em universidades católicas devido à posições não tão ortodoxas, Küng aumentou seu tom de voz com o passar do tempo. Até mesmo entre os seus pares, sua perspectiva radical e mesmo agressiva era notada. Yves Congar, outro perito conciliar, e que esteve constantemente com Küng entre os anos do concílio,a firma em seu diário no dia 30 de novembro de 1965 que esteve em reunião organizada pelo alemão. Entre os convidados encontravam-se Schillebeeckx, Laurentin, Gr. Baum, Féret e Ratzinger. Em um momento exclama: "Schillebeeckx e Ratzinger fazem observações reais e acuradas, como os padres bolonheses (do grupo Dossetti), enquanto Küng é sempre muito radical". Tá aí. Nada do que é dito por Hans Küng sobre a Igreja é mais surpresa. E isso desde 1965!

Geraldo de Proença Sigaud fala à Veja em 1970













Em memória de dois combatentes do Concílio Vaticano II, cada qual ao seu modo, que completaríam seus 100 anos em 2009, D. Geraldo de Proença Sigaud e D. Hélder Câmara, segue acima entrevista do primeiro a Alberto Souza Cruz, dada em 14 de outubro de 1970 para a revista Veja. Para ler basta clicar em cima.


Cariello e o concílio

Rafael Cariello trouxe ontem matéria da Folha de S. Paulo intitulada Papa faz "reforma" parcial do Concílio Vaticano II. O repórter acerta em uma coisa: ao entrevistar o Pe. José Oscar Beozzo, teólogo progressista, ligado à teologia da libertação e Francisco Borba Neto, pertencente do movimento Comunhão e Libertação, próximo ao papa, chega à conclusão de que Bento XVI propôe uma nova interpretação do concílio. Isso é claro, como já tentei demonstrar aqui algumas vezes. Cariello visa uma reportagem que dá voz aos dois lados da questão, contudo, o título dado à matéria pende para a visão progressista, na qual afirma que Bento XVI não assume o concílio e tudo o que ele tem de novidade. A questão é mais complexa e a luta interpretativa sobre o concílio ainda não terminou. Além disso, não podemos simplesmente separar os grupos interiores da Igreja em duas alas. Podemos sim, hipoteticamente, dizer que existem aqueles progressistas, tradicionalistas e reformadores/conservadores. Bento XVI está entre os últimos, buscando um equilíbrio, o que nem progressistas, nem tradicionalistas aceitam em suas interpretações radicais da realidade eclesial.

Enquanto isso o jornal alemão Der Spiegel, um dos responsáveis pela manipulação midiática, segundo Gérard Leclerc da France Catholique, aponta conteúdos antissemitas em publicações da FSSPX de alguns anos atrás.

Palavras de Bento XVI aos judeus

Audiência de Bento XVI nesta manhã com membros da delegação da Conference of Presidents of Major American Jewish Organizations, responde às pressões e pedidos de Angela Merkel para uma posição clara sobre a Shoah.

Aqui alguns jornais que noticiaram as palavras do papa: Il Tempo, El País, Corriere.

Eis o texto:

"CONFERENCE OF PRESIDENTS OF MAJOR AMERICAN JEWISH ORGANIZATIONS"

Alle ore 11.50 di questa mattina, nella Sala del Concistoro del Palazzo Apostolico Vaticano, il Santo Padre Benedetto XVI riceve in Udienza i Membri della Delegazione della "Conference of Presidents of Major American. Jewish Organizations" e rivolge loro il discorso che pubblichiamo qui di seguito:

DISCORSO DEL SANTO PADRE

Dear Friends,

I am pleased to welcome all of you today, and I thank Rabbi Arthur Schneier and Mr Alan Solow for the greetings they have addressed to me on your behalf. I well recall the various occasions, during my visit to the United States last year, when I was able to meet some of you in Washington D.C. and New York. Rabbi Schneier, you graciously received me at Park East Synagogue just hours before your celebration of Pesah. Now, I am glad to have this opportunity to offer you hospitality here in my own home. Such meetings as this enable us to demonstrate our respect for one another. I want you to know that you are all most welcome here today in the house of Peter, the home of the Pope.

I look back with gratitude to the various opportunities I have had over many years to spend time in the company of my Jewish friends. My visits to your communities in Washington and New York, though brief, were experiences of fraternal esteem and sincere friendship. So too was my visit to the Synagogue in Cologne, the first such visit in my Pontificate. It was very moving for me to spend those moments with the Jewish community in the city I know so well, the city which was home to the earliest Jewish settlement in Germany, its roots reaching back to the time of the Roman Empire.

A year later, in May 2006, I visited the extermination camp at Auschwitz-Birkenau. What words can adequately convey that profoundly moving experience? As I walked through the entrance to that place of horror, the scene of such untold suffering, I meditated on the countless number of prisoners, so many of them Jews, who had trodden that same path into captivity at Auschwitz and in all the other prison camps. Those children of Abraham, grief-stricken and degraded, had little to sustain them beyond their faith in the God of their fathers, a faith that we Christians share with you, our brothers and sisters. How can we begin to grasp the enormity of what took place in those infamous prisons? The entire human race feels deep shame at the savage brutality shown to your people at that time. Allow me to recall what I said on that sombre occasion: "The rulers of the Third Reich wanted to crush the entire Jewish people, to cancel it from the register of the peoples of the earth. Thus the words of the Psalm, ‘We are being killed, accounted as sheep for the slaughter’, were fulfilled in a terrifying way."

Our meeting today occurs in the context of your visit to Italy in conjunction with your annual Leadership Mission to Israel. I too am preparing to visit Israel, a land which is holy for Christians as well as Jews, since the roots of our faith are to be found there. Indeed, the Church draws its sustenance from the root of that good olive tree, the people of Israel, onto which have been grafted the wild olive branches of the Gentiles (cf. Rom 11: 17-24). From the earliest days of Christianity, our identity and every aspect of our life and worship have been intimately bound up with the ancient religion of our fathers in faith.

The two-thousand-year history of the relationship between Judaism and the Church has passed through many different phases, some of them painful to recall. Now that we are able to meet in a spirit of reconciliation, we must not allow past difficulties to hold us back from extending to one another the hand of friendship. Indeed, what family is there that has not been troubled by tensions of one kind or another? The Second Vatican Council’s Declaration Nostra Aetate marked a milestone in the journey towards reconciliation, and clearly outlined the principles that have governed the Church’s approach to Christian-Jewish relations ever since. The Church is profoundly and irrevocably committed to reject all anti-Semitism and to continue to build good and lasting relations between our two communities. If there is one particular image which encapsulates this commitment, it is the moment when my beloved predecessor Pope John Paul II stood at the Western Wall in Jerusalem, pleading for God’s forgiveness after all the injustice that the Jewish people have had to suffer. I now make his prayer my own: "God of our fathers, you chose Abraham and his descendants to bring your Name to the Nations: we are deeply saddened by the behaviour of those who in the course of history have caused these children of yours to suffer, and asking your forgiveness we wish to commit ourselves to genuine brotherhood with the people of the Covenant" (26 March 2000).

The hatred and contempt for men, women and children that was manifested in the Shoah was a crime against God and against humanity. This should be clear to everyone, especially to those standing in the tradition of the Holy Scriptures, according to which every human being is created in the image and likeness of God (Gen 1:26-27). It is beyond question that any denial or minimization of this terrible crime is intolerable and altogether unacceptable. Recently, in a public audience, I reaffirmed that the Shoah must be "a warning for all against forgetfulness, denial or reductionism, because violence committed against one single human being is violence against all" (January 28, 2009).

This terrible chapter in our history must never be forgotten. Remembrance — it is rightly said — is memoria futuri, a warning to us for the future, and a summons to strive for reconciliation. To remember is to do everything in our power to prevent any recurrence of such a catastrophe within the human family by building bridges of lasting friendship. It is my fervent prayer that the memory of this appalling crime will strengthen our determination to heal the wounds that for too long have sullied relations between Christians and Jews. It is my heartfelt desire that the friendship we now enjoy will grow ever stronger, so that the Church’s irrevocable commitment to respectful and harmonious relations with the people of the Covenant will bear fruit in abundance.

Hemorragia de fiéis em Áustria

Segundo matéria do Le Figaro ocorre uma "hemorragia de fiéis" na Áustria, que se aprofundou devido o levantamento das excomunhões dos bispos da FSSPX, principalmente em Linz, cidade onde Hitler nasceu: "Ces critiques sont d'autant plus exceptionnelles, que le clergé autrichien est traditionnellement légitimiste, et n'a pas coutume de critiquer les décisions du Vatican. Mais les décisions controversées de Benoît XVI ont suscité l'incompréhension, y compris dans les cercles conservateurs, et accéléré l'hémorragie de fidèles, notamment dans le diocèse de Linz. Le nombre de catholiques demandant à être rayé des registres a ainsi triplé ces derniers jours. Mgr Kothgasser souligne : «Quand il n'y a plus de confiance dans l'Eglise locale, la confiance dans l'autorité centrale de l'Eglise universelle disparaît».