João Paulo II e o comunismo

Isto é mais uma prova histórica da importância de Karol Wojtyla na aceleração do processo de desabamento do comunismo na URSS e no Leste Europeu. Agentes húngaros, apoiados pelo Kremlin, estariam por trás da tentativa de assassinado de João Paulo II em 1981.

"Touche pas a mon pape!"

Essa era a frase que alguns estudantes católicos carregavam em seus peitos em frente a catedral de Notre Dame em Paris com o intuito de fazer frente a manifestação radical e desproposital que distribuia preservativos no local e impedia a entrada de fiéis na Igreja. Abaixo segue um vídeo sobre o ocorrido em 22 de março último. O que não entendi foi a atitude da polícia: enquanto alguns tentam arrancar os cartazes das mãos dos manifestantes, claramente católicos, a polícia intervém na defesa do grupo "ActUp", "protegendo", vamos assim dizer, aqueles que gritavam blasfêmias contra Bento XVI. Aqui um comunicado da ActHope, jovem associação católica francesa, que tentou impedir a manifestação.

D. Laurent Ulrich comenta

Reportagem de Stéphanie Le Bars, publicada no jornal Le Monde, 28-03-2009 e reproduzida com tradução de Moisés Sbardelotto no iHuonline. O entrevistado é Dom Laurent Ulrich, arcebispo de Lilla e vice-presidente da Conferência dos Bispos da França.

Como o senhor explica esse mal-estar? Foram cometidos erros?

Efetivamente, observa-se um desconforto ligado a uma série de casos julgados incompreensíveis. No caso dos bispos integralistas, é verdade que as explicações tardaram em chegar. Mas o Papa reconheceu os erros de comunicação e deu-lhes uma explicação na sua carta aos bispos. Hoje, ninguém está protegido desse tipo de erros.

No Brasil, a posição do episcopado brasileiro, que contradizia o bispo que havia pronunciado a excomunhão, foi pouquíssimo publicada pela imprensa. Entendeu-se que a excomunhão não é mais efetiva? Nem o texto de dom Fisichella – presidente da Pontifícia Academia para a Vida – que expressava a sua compaixão pela menina não foi muito difundido. A Conferência dos Bispos da França não quis acrescentar outras coisas a um drama do qual não conhecia todos os elementos.

Sobre os preservativos, quando lemos o texto do papa nas nossas reuniões públicas, as pessoas se dão conta de que é um discurso equilibrado. Ele repete que não se resolverá o flagelo da Aids apenas com as campanhas em favor do preservativo. O apelo à fidelidade é compreendido. E foi acolhido favoravelmente na África, pelos bispos mas também por responsáveis civis e políticos. De tudo o que o Papa disse, foi colocada em evidência apenas uma meia frase...

Como os católicos se sentem hoje? O que a Igreja faz para remediar o desconforto?

Não se pode dizer que os cristãos franceses estão desmoralizados. Evidentemente, ouve-se um certo número de pessoas dizendo "Não me sinto bem na minha Igreja". Alguns escrevem para dizer que já estão saturados da Igreja. Muitas vezes, tratam-se de pessoas que já haviam se distanciado da Igreja.

E outros estão muito felizes por ter encontrado a mensagem do Evangelho. O número de batismos de adultos aumenta: passaram de 2.300 para 2.900 entre 2001 e 2009. As polêmicas não colocam em discussão as convicções daqueles que se comprometem. Certos padres estão perturbados, mas todos estão atentos para ajudar os cristãos a entender. Depois da tempestade, vem o momento do diálogo. Não deixamos o Papa sozinho nas dificuldades. Nós, católicos, mostramos a nossa ligação com a Igreja, com a sua mensagem e com o Papa, pois as suas palavras são palavras de razão. São palavras que contam, senão não fariam tanto barulho! Certamente nos provocam, a nós e à sociedade. A Igreja faz refletir.

Na Igreja, alguns também consideram que essas palavras são sempre menos compreensíveis pelas sociedades ocidentais...

Não acredito. A nossa linguagem não é inacessível. Requer escuta, reflexão, discussão e tempo. As nossas palavras não satisfazem sempre o pensamento dominante, mas isso não é novidade! Isso não significa que somos destinados a ser colocados de lado. É uma das vocações da Igreja dizer coisas que não confirmam o pensamento único. Nós não buscamos uma oposição frontal e polêmica, mas a nossa palavra é livre e não nos sentimos obrigados a justificar tudo. A Igreja tem um dever e um direito de contestação. Porém, os católicos não estão na contracultura: pelo contrário, estão comprometidos com a vida da sociedade.

É possível ser católico mesmo criticando o Papa?

O símbolo da unidade que o Papa representa pode se enfraquecer, mas a fé católica não pode viver a sua unidade sem a relação com o Papa. Pode haver irritações passageiras, refutações, mas a unidade da fé não pode ser colocada em discussão. Que certas pessoas estejam desorientadas é possível, mas estou convencido de que a sua fé é maior do que uma desorientação momentânea.

Bento não sabe o que faz?

Podemos estar vivendo um dos momentos mais importantes da Igreja pós-conciliar nesses 50 anos de convocação do Vaticano II. Com as últimas tomadas de posição de Bento XVI, com sua afirmação de uma hermenêutica contínua do concílio, que preze a história milenar da Igreja, ameçam claramente as posições daqueles grupos que se achavam os "vitoriosos do concílio" e que imprimiram nas consciências, a partir de toneladas de publicações em editoras católicas ou não, a idéia de que a Igreja estava num caminho de uma "modernização teológica" e de uma democratização em suas tomadas de decisões, de uma ruptura com seu passado "intransigente". A tese da colegialidade do Vaticano II foi interpretada em seu senso largo, mesmo depois da nota praevia inserida no texto por Paulo VI, que presentia que sem aquela explicação de como deveria ser interpretada, o texto poderia esvaziar o primado papal. Mesmo assim a tese foi e é interpretada da forma que Montini não desejava. O bispado alemão fala em colegialidade ao criticar as posições do papa em relação aos seguidores de Lefebvre. Podemos ver isso a partir de uma análise do espanhol El País. Bento XVI deveria consultar os bispados mundias para tomar a decisão em relação a eles? Esse é o desejo de muitos, e seus discursos estão recheados de afirmações que apontam o papa, junto com seu antecessor, de "negadores do concílio", ao tomarem posições sem consultá-los. Não digo que não seja legítimo esse desejo de união e colaboração entre todos que pertençam à Igreja. E os bispos são muito importantes. Contudo, eles sabem que o Vaticano II tentou equilibrar o poder com a colegialidade, mas sem, nunca, tirar nada do primado. O papa continua a ser o ponto de referência central da Igreja romana. Desde o levantamento das excomunhões dos lefebvrianos agigantam-se as críticas a Bento XVI, e tudo o que é dito por ele é lido e interpretado, em vários meios de comunicação, sempre unilateralmente. A promoção de descrédito das posições de Ratzinger avoluma-se dia após dia. A mídia não para de apontar seus "erros", como se vê na matéria do El País acima referida. Em quem Bento XVI pode confiar? Parece, como visto no caso do levantamento da excomunhões e o dossiê que gira dentro do Vaticano, que a orquestração para desacreditar o papa vem de dentro e de pessoas "próximas". Alguns até dizem que o cardeal Re é um dos que não "batem" com Ratzinger. Lembrem-se que Re era um dos papáveis. O que existe é muita especulação sobre as relações Bento XVI-Cúria. E encaixo minhas palavras nesse contexto. O que não é especulação, e é mais claro que o sol, é que a descrença cresce em torno de Bento devido às interpretações unilaterais da mídia mundial de qualquer palavra do papa. A mesagem que passam é: nada pode se esperar de Bento XVI, a não ser atitudes atrapalhadas, que mais causam mal-estar do que qualquer outra coisa. Mas será que ele não sabe o que faz?

Reação dos israelitas a D. Dadeus

A revista Press & Advertising, que trouxe entrevista com D. Dadeus, Grings, arcebispo de Porto Alegre, e que gerou muita polêmica de ontem para hoje devido suas afirmações ("morreram mais católicos do que judeus no holocausto, mas isso não aparece porque os judeus têm a propaganda do mundo”) publica em seu site uma nota da Federação Israelita. Ei-la:

Resposta às declarações do Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings

Nos surpreendem as declarações do arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, publicadas pela revista Press. Não é a primeira vez que o religioso se refere ao Holocausto de forma distorcida. Nós, brasileiros de todas as origens, construímos através de décadas uma tradição de convivência pacífica harmoniosa. Afirmações como as de Dom Dadeus não contribuem em nada para este modelo que serve de inspiração a outros países. Reduzir ou relativizar o Holocausto agride a memória de milhões de mortos numa guerra iniciada pelo fanatismo e pela intolerância.
O próprio Vaticano, nos últimos anos, adotou uma postura aberta e transparente em relação ao assassinato de seis milhões de judeus. Aliás, as relações entre a Igreja Católica e a comunidade judaica nunca foram tão boas. Em maio, o Papa Bento XVI visitará Israel.
Na contramão dessa realidade, mais uma vez Dom Dadeus destoa dos seus semelhantes ao usar argumentos sem qualquer valor moral ou científico. Morreram menos judeus na II Guerra porque havia e ainda há menos judeus no mundo. Proporcionalmente, a chacina minimizada pelo arcebispo significou a aniquilação da maior parte de um povo que já era pequeno.
Manifestamos a esperança de que Dom Dadeus reflita sobre as suas declarações. Ele é um homem de fé e de paz. Esteve na posse da diretoria da Federação Israelita há poucos dias, o que muito honrou e sensibilizou a comunidade judaica gaúcha. Entretanto, ao reproduzir estereótipos criados pelos nazistas, Dom Dadeus se posiciona do lado errado da História. Suas declarações agridem não só aos judeus, mas aos milhões de ciganos, portadores de deficiência, homossexuais e adversários do regime nazista que foram igualmente assassinados.
A única forma de impedir que a barbárie perpetrada pelos nazistas se repita - contra os judeus ou contra outras etnias ou segmentos religiosos - é respeitar sempre a memória, com seriedade, fraternidade e honestidade. É isto o que esperamos de Dom Dadeus Grings e dos homens e mulheres comprometidos com a verdade e com a justiça.

Porto Alegre, 26 de março de 2009.

Henry S. Chmelnitsky
Presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul
Fonte: FIRS

Jean Guitton: 10 anos de morte


Data importante que merece ser lembrada: hoje faz 10 anos que morreu Jean Guitton, um dos últimos e maiores intelectuais franceses do século XX. "Guitton colocou si mesmo como antipoda da posição sartriana: ele não optou pelo nada e não entendeu a vida como uma paixão inútil, mas escolheu pela esperança e se confrontou com futuro com uma posição positiva e construtiva, olhando o essencial e sempre desejando chegar a ele. Nos últimos anos procurou, por diálogo com dois físicos, a indagar a relação entre Deus e a ciência, através de confronto com os temas e a dificuldade das pesquisas teóricas mais avançadas [...]", afirma matéria de il.sussidiario.

Dr. Green concorda com Bento XVI

Um estudioso de Harvard concorda com as posições de Bento XVI sobre os preservativos. Edward Green comenta, deixando claro que sua posição não está ligada a uma discussão em que a religião sobrepõe o campo secular: "I am a liberal on social issues and it’s difficult to admit, but the Pope is indeed right." Apontado por Reinado Azevedo, as matérias que reverberam as palavras de Dr. Green aqui e aqui.

Santo Anselmo na Faculdade São Bento

Simpósio sobre Santo Anselmo, um dos maiores nomes da filosofia medieval, na Faculdade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro, entre 28 e 30 de abril. Maiores informações.

Algumas reflexões

- De acordo com matéria do Religius Intelligence, cresce as polarizações entre cristãos e "secularistas" nas universidades britânicas. Confira texto completo.

- O L'Avvenire publica texto de Riccardo Cascioli abordando o tema dos preservativos e defendendo a visão do papa.

- No L'Occidentale, Pietro di Marco escreve primoroso artigo sobre a contenda interpretativa do Vaticano II. Afirma: "a história católica precedente ao Concílio Vaticano II é o vital horizonte do 'espírito' do mesmo concílio e da sua realização - 'realização' que muitos extremistas viveram em vez como incompatibilidade com o passado [...] só um uso político do concílio, não a sua doutrina, rebaixou, sobre o pretexto da 'ruptura' conciliar [...] os séculos de vida, autêntica Tradição cuja os tradicionalistas católicos reclamam."

- O Wasington Post traz matéria no qual o arcebispo Raymond Burke diz que Obama "could be an agent of death", se der suporte financeiro aos abortistas em outros países.

- Mais uma polêmica: D. Dadeus Grings fala na revista Press que "judeus tem a propaganda no mundo" e que morreram mais católicos no Holocausto do que judeus.

L'Osservatore fala sobre o preservativo

Mais um capítulo desenrola-se na em torno do grande falatório sobre as posições de Bento XVI e os preservativos. O L'Osservatore Romano admite publicamente a eficácia profilática da camisinha. É o que diz o Le Figaro. Em matéria de 22 de março passado, o jornal reconheceu em matéria de capa que o preservativo é eficaz em 97 % em melhores condições de uso e 87 % em condições comuns, como na África. Cita o caso da Uganda, país que conseguiu reduzir consideravelmente o nível das infecções com seu programa "ABC", abstinência, fidelidade (be faithful) e preservativo (condom). "L'Ouganda est ainsi «l'unique pays d'Afrique qui a obtenu de bons résultats» dans cette lutte contre le sida : 'La fréquence d'infection dans la population est descendue de 15 % en 1991 à 5 % en 2001.'"
E em Paris, enquanto isso, o papa vira camisinha. Imagine se fosse Maomé estampado... O mundo viria abaixo!

Embriões e afins

Interessante reportagem de médico português publicado no Estado de São Paulo e postado no blog Nuvem do não-saber:

Célula embrionária é para fazer bebês, diz neurocirurgião português


Carlos Lima diz que só se faz pesquisa com célula-tronco de embrião porque a adulta não rende patente

Clarissa Thomé escreve para “O Estado de SP”:

O neurocirurgião português Carlos Lima, do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, conhecido por aplicar desde 2001 uma técnica experimental de recuperação de lesão medular baseada no implante de células-tronco retiradas da mucosa olfativa, veio ao Brasil para uma conferência sobre o tema realizada ontem na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Lima é um crítico das pesquisas com células embrionárias. Para ele, não se investe mais em células-tronco adultas porque não se pode patenteá-las. “Querem continuar a gastar tempo, dinheiro e energia, causando sofrimento ao paciente, por uma única razão: célula da mucosa olfativa não tem patente. Do ponto de vista financeiro, não traz benefício.”

Desde o início da pesquisa, 125 pessoas foram operadas e tiveram diferentes graus de recuperação – uma delas, a carioca Camila Magalhães Lima, de 23 anos, tetraplégica desde os 12 por causa de bala perdida.

Camila foi operada por ele em 2006 e diz ter recuperado parte da sensibilidade nos pés e nas costas, além de conseguir dar alguns passos com ajuda de equipamentos. A seguir, trechos da entrevista.

O que deve ser feito após o implante das células-tronco?
– Em lesões medulares crônicas, o cérebro deixa de reconhecer partes do corpo. As células que lembram a existência das pernas, dos braços, vão desaparecer. A complexidade para refazer essas conexões é impressionante. Demora anos. Por isso é preciso fisioterapia.

Como o senhor analisa o estudo com células-tronco embrionárias?
– Se faz pesquisa com elas por uma razão: célula adulta não rende patente. A célula da Camila é dela e foi usada para curar uma lesão que ela tem. Não se pode patentear. Grupos econômicos fazem toda essa publicidade em torno de células embrionárias, que na minha opinião nunca vão funcionar. A natureza não faz células embrionárias para reparar o corpo, mas para fazer bebês. Temos células com essa potencialidade das embrionárias, como as do nariz, que não só fazem neurônio, mas fazem fígado, sangue, pâncreas, mas isso não está na agenda.

O que está na agenda?
–Manipular células, patenteá-las, como se fosse possível mexermos no código da vida impunemente.

Casos como o da Camila surpreendem o senhor?
– Quem não se surpreende com um caso como o dela? Mas hoje ela não poderia ser operada, pelos critérios da pesquisa. Na fase atual, estamos operando doentes completos (sem nenhum movimento abaixo da lesão), crônicos e que possam fazer a reabilitação.
(O Estado de SP, 25/3)

Os rebeldes e os tiranos

"Os rebeldes de hoje são, apenas, os pais dos tiranos de amanhã - os tiranos de hoje, filhos dos rebeldes de ontem". Do livro História das Idéias Religiosas no Brasil, de João Camilo de Oliveira Torres.