João Paulo II e o comunismo
"Touche pas a mon pape!"
D. Laurent Ulrich comenta
Como o senhor explica esse mal-estar? Foram cometidos erros?
Efetivamente, observa-se um desconforto ligado a uma série de casos julgados incompreensíveis. No caso dos bispos integralistas, é verdade que as explicações tardaram em chegar. Mas o Papa reconheceu os erros de comunicação e deu-lhes uma explicação na sua carta aos bispos. Hoje, ninguém está protegido desse tipo de erros.
No Brasil, a posição do episcopado brasileiro, que contradizia o bispo que havia pronunciado a excomunhão, foi pouquíssimo publicada pela imprensa. Entendeu-se que a excomunhão não é mais efetiva? Nem o texto de dom Fisichella – presidente da Pontifícia Academia para a Vida – que expressava a sua compaixão pela menina não foi muito difundido. A Conferência dos Bispos da França não quis acrescentar outras coisas a um drama do qual não conhecia todos os elementos.
Sobre os preservativos, quando lemos o texto do papa nas nossas reuniões públicas, as pessoas se dão conta de que é um discurso equilibrado. Ele repete que não se resolverá o flagelo da Aids apenas com as campanhas em favor do preservativo. O apelo à fidelidade é compreendido. E foi acolhido favoravelmente na África, pelos bispos mas também por responsáveis civis e políticos. De tudo o que o Papa disse, foi colocada em evidência apenas uma meia frase...
Como os católicos se sentem hoje? O que a Igreja faz para remediar o desconforto?
Não se pode dizer que os cristãos franceses estão desmoralizados. Evidentemente, ouve-se um certo número de pessoas dizendo "Não me sinto bem na minha Igreja". Alguns escrevem para dizer que já estão saturados da Igreja. Muitas vezes, tratam-se de pessoas que já haviam se distanciado da Igreja.
E outros estão muito felizes por ter encontrado a mensagem do Evangelho. O número de batismos de adultos aumenta: passaram de 2.300 para 2.900 entre 2001 e 2009. As polêmicas não colocam em discussão as convicções daqueles que se comprometem. Certos padres estão perturbados, mas todos estão atentos para ajudar os cristãos a entender. Depois da tempestade, vem o momento do diálogo. Não deixamos o Papa sozinho nas dificuldades. Nós, católicos, mostramos a nossa ligação com a Igreja, com a sua mensagem e com o Papa, pois as suas palavras são palavras de razão. São palavras que contam, senão não fariam tanto barulho! Certamente nos provocam, a nós e à sociedade. A Igreja faz refletir.
Na Igreja, alguns também consideram que essas palavras são sempre menos compreensíveis pelas sociedades ocidentais...
Não acredito. A nossa linguagem não é inacessível. Requer escuta, reflexão, discussão e tempo. As nossas palavras não satisfazem sempre o pensamento dominante, mas isso não é novidade! Isso não significa que somos destinados a ser colocados de lado. É uma das vocações da Igreja dizer coisas que não confirmam o pensamento único. Nós não buscamos uma oposição frontal e polêmica, mas a nossa palavra é livre e não nos sentimos obrigados a justificar tudo. A Igreja tem um dever e um direito de contestação. Porém, os católicos não estão na contracultura: pelo contrário, estão comprometidos com a vida da sociedade.
É possível ser católico mesmo criticando o Papa?
O símbolo da unidade que o Papa representa pode se enfraquecer, mas a fé católica não pode viver a sua unidade sem a relação com o Papa. Pode haver irritações passageiras, refutações, mas a unidade da fé não pode ser colocada em discussão. Que certas pessoas estejam desorientadas é possível, mas estou convencido de que a sua fé é maior do que uma desorientação momentânea.
Bento não sabe o que faz?
Reação dos israelitas a D. Dadeus
Nos surpreendem as declarações do arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, publicadas pela revista Press. Não é a primeira vez que o religioso se refere ao Holocausto de forma distorcida. Nós, brasileiros de todas as origens, construímos através de décadas uma tradição de convivência pacífica harmoniosa. Afirmações como as de Dom Dadeus não contribuem em nada para este modelo que serve de inspiração a outros países. Reduzir ou relativizar o Holocausto agride a memória de milhões de mortos numa guerra iniciada pelo fanatismo e pela intolerância.
O próprio Vaticano, nos últimos anos, adotou uma postura aberta e transparente em relação ao assassinato de seis milhões de judeus. Aliás, as relações entre a Igreja Católica e a comunidade judaica nunca foram tão boas. Em maio, o Papa Bento XVI visitará Israel.
Na contramão dessa realidade, mais uma vez Dom Dadeus destoa dos seus semelhantes ao usar argumentos sem qualquer valor moral ou científico. Morreram menos judeus na II Guerra porque havia e ainda há menos judeus no mundo. Proporcionalmente, a chacina minimizada pelo arcebispo significou a aniquilação da maior parte de um povo que já era pequeno.
Manifestamos a esperança de que Dom Dadeus reflita sobre as suas declarações. Ele é um homem de fé e de paz. Esteve na posse da diretoria da Federação Israelita há poucos dias, o que muito honrou e sensibilizou a comunidade judaica gaúcha. Entretanto, ao reproduzir estereótipos criados pelos nazistas, Dom Dadeus se posiciona do lado errado da História. Suas declarações agridem não só aos judeus, mas aos milhões de ciganos, portadores de deficiência, homossexuais e adversários do regime nazista que foram igualmente assassinados.
A única forma de impedir que a barbárie perpetrada pelos nazistas se repita - contra os judeus ou contra outras etnias ou segmentos religiosos - é respeitar sempre a memória, com seriedade, fraternidade e honestidade. É isto o que esperamos de Dom Dadeus Grings e dos homens e mulheres comprometidos com a verdade e com a justiça.
Porto Alegre, 26 de março de 2009.
Henry S. Chmelnitsky
Presidente da Federação Israelita do Rio Grande do Sul
Fonte: FIRS
Jean Guitton: 10 anos de morte

Dr. Green concorda com Bento XVI
Santo Anselmo na Faculdade São Bento
Algumas reflexões
- O L'Avvenire publica texto de Riccardo Cascioli abordando o tema dos preservativos e defendendo a visão do papa.
- No L'Occidentale, Pietro di Marco escreve primoroso artigo sobre a contenda interpretativa do Vaticano II. Afirma: "a história católica precedente ao Concílio Vaticano II é o vital horizonte do 'espírito' do mesmo concílio e da sua realização - 'realização' que muitos extremistas viveram em vez como incompatibilidade com o passado [...] só um uso político do concílio, não a sua doutrina, rebaixou, sobre o pretexto da 'ruptura' conciliar [...] os séculos de vida, autêntica Tradição cuja os tradicionalistas católicos reclamam."
- O Wasington Post traz matéria no qual o arcebispo Raymond Burke diz que Obama "could be an agent of death", se der suporte financeiro aos abortistas em outros países.
- Mais uma polêmica: D. Dadeus Grings fala na revista Press que "judeus tem a propaganda no mundo" e que morreram mais católicos no Holocausto do que judeus.
L'Osservatore fala sobre o preservativo
E em Paris, enquanto isso, o papa vira camisinha. Imagine se fosse Maomé estampado... O mundo viria abaixo!
Embriões e afins
| Célula embrionária é para fazer bebês, diz neurocirurgião português | |
| Carlos Lima diz que só se faz pesquisa com célula-tronco de embrião porque a adulta não rende patente Clarissa Thomé escreve para “O Estado de SP”: O neurocirurgião português Carlos Lima, do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa, conhecido por aplicar desde 2001 uma técnica experimental de recuperação de lesão medular baseada no implante de células-tronco retiradas da mucosa olfativa, veio ao Brasil para uma conferência sobre o tema realizada ontem na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Lima é um crítico das pesquisas com células embrionárias. Para ele, não se investe mais em células-tronco adultas porque não se pode patenteá-las. “Querem continuar a gastar tempo, dinheiro e energia, causando sofrimento ao paciente, por uma única razão: célula da mucosa olfativa não tem patente. Do ponto de vista financeiro, não traz benefício.” Desde o início da pesquisa, 125 pessoas foram operadas e tiveram diferentes graus de recuperação – uma delas, a carioca Camila Magalhães Lima, de 23 anos, tetraplégica desde os 12 por causa de bala perdida. Camila foi operada por ele em 2006 e diz ter recuperado parte da sensibilidade nos pés e nas costas, além de conseguir dar alguns passos com ajuda de equipamentos. A seguir, trechos da entrevista. O que deve ser feito após o implante das células-tronco? Como o senhor analisa o estudo com células-tronco embrionárias? O que está na agenda? Casos como o da Camila surpreendem o senhor? | |
