Ecône

Na linha da hermenêutica da continuidade e no calor do fatos, Margerie trata do "caso Lefebvre" nessa obra: MARGERIE, Bertrand de. Ecône: comment dénouer la tragédie; Réflexions Théologiques et Pastorales. Paris: Tequi, 1988.
São Bento, rogai por nós!

A capafobia no mundo progressista


João XXIII e sua capa

De acordo com Gerald Warner, em um texto da Telegraph, uma fobia se alastrou no mundo progressista: a fobia da cappa magna choralis, que teria começado no pontificado de Pio XII. Quem quiser saber mais sobre ela veja aqui.

A esperança salva

Bento XVI em uma de suas respostas para os jornalistas no avião que os levava à Austrália:

"Temos necessidade do dom da terra, do dom da água, precisamos do Criador; o Criador volta a aparecer em sua criação. Deste modo, compreendemos que não podemos ser realmente felizes, não podemos promover realmente a justiça para o mundo inteiro, sem um critério, sem um Deus que é justo, e que nos dá a luz e a vida. Portanto, penso que em certo sentido se dará uma crise para nossa fé neste «mundo ocidental», mas sempre teremos um renascimento da fé, pois a fé cristã é simplesmente verdadeira, e a verdade estará sempre presente no mundo humano, e Deus sempre será a Verdade. Neste sentido, em último termo, sou otimista."


Livreto sobre a questão dos missais


Na onda da discussão sobre o motu proprio Summorum Pontificum, que completou um ano dia 7 de julho passado, muitos artigos e livros saíram logo sobre a questão. Um pequeno livreto italiano, publicado logo depois do moto proprio, dá uma visão geral sobre a questão: SODI, Manlio. Il Messale di Pio V. Perché la Messa in latino nel III millenio?. Padova: Edizioni Messaggero Padova, 2007. ( 3,50 euros).
Trecho: "[...] e per saper valutare la campagna midiatica che in genere non ha colto il nocciolo del problema, in quanto si è soffermata principalmente sul ritorno al latino nella Messa; ma la Messa in latino è sempre stato possibile celebrarla! (grifo nosso) [sempre foi possível celebrar a missa em latim!]" (p. 5).

Boff vs Boff by Magister

Como não poderia deixar de ser, Leonardo Boff respondeu às críticas de seu irmão, Clodovis Boff, em um artigo no iHu online... E a discussão já atravessou o mundo e se encontra no blog do italiano Sandro Magister. O vaticanista do Le Espresso afirma que "curiosamente, proprio colui che subentrò a Clodovis Boff sulla cattedra di teologia a Rio (nos anos 80), l'italiano Filippo Santoro, oggi vescovo di Petrópolis e appartenente a Comunione e Liberazione, è lo stesso che ha più ispirato e seguito la sua "conversione", durata qualche anno e infine sfociata nel saggio pubblicato sulla Revista Eclesiástica Brasileira." O assunto é polêmico e com certeza presenciaremos novos desenlaces. Tal debate pode ser muito rico, se lado a lado não desejar monopolizá-lo ideologicamente e estiver aberto à reflexão séria. Agora, pergunto: como manter um debate desideologizado sendo que a própria TdL carrega em si um peso ideológico muito forte? E que por sinal caiu com o muro em 1989?

Poulat, o catolicismo e as ciências humanas

Para quem se aventura na discussão sobre o catolicismo do século XX entre continuidades e descontinuidades (tenho pavor desse "entre... e...", mas tive que usar) veja esse belo texto de Danielle Menozzi comentando a obra de Émile Poulat: "L'Église et la modernité: une relation compliquée". In: ZUBER, Valentine (dir.). Un objet de science, le catholicisme. Lonrai: Bayard, 2001. Além do historiador, encontram-se outros textos de importantes estudiosos como Danièle Hervieu-Leger, Andrea Riccardi, Étienne Fouilloux, Clade Langlois e Dominique Julia. Os textos são frutos do encontro realizado na Sorbonne em 22 e 23 de outubro de 1999 com o nome de Réflexions autour de l'oeuvre d'Émile Poulat.

Óbulo de São Pedro

Os norte-americanos são os que mais colaboraram com a Santa Sé no Óbulo de São Pedro. O Brasil foi o maior doador na América Latina.
As nações que mais contribuiram (valor em US$)
Estados Unidos - 18 milhões 725 mil 327
Itália - 8 milhões 632 mil e 171
Alemanha - 4 milhões 26 mil 308
Espanha - 2 milhões 715 mil 527

Brasil (sétimo lugar em ordem mundial) - 1 milhão 441 mil 987

Fonte: www.aciprensa.com

Déficit na Santa Sé

De acordo com o La Croix, pela primeira vez depois da ascensão de Ratzinger ao trono pontifício, o balanço econômico do ano da Santa Sé teve déficit. 245,8 milhôes de euros foi o valor do buraco. Tais despesas totais estão divididas em quatro setores: atividades institucionais, financeiras, imobiliárias e midiáticas.

Nota da CNBB: rejeição Projeto de lei 1.135/91

Nota da CNBB sobre a rejeição do Projeto de Lei 1.135/91

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, em votação simbólica, rejeitou nesta quarta-feira, o projeto de lei 1135/91, que visava suprimir o artigo 124 do Código Penal que define o aborto provocado como crime.

Após longo debate, concluiu-se que tal projeto de lei é inconstitucional, e que o direito à vida, assegurado no artigo 5o da Constituição Federal, constitui um valor supremo, do qual decorrem todos os demais direitos. Assim, mais uma vez, foi respeitada a voz da grande maioria da população brasileira, que é decididamente contrária à prática do aborto e que defende a vida e a dignidade humana, desde a fecundação, até seu declino natural.

A Carta Encíclica Evangelium vitae, do Papa João Paulo II, sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana, afirma que “o ser humano deve ser respeitado e tratado como uma pessoa desde a sua concepção e, por isso, desde esse mesmo momento, devem-lhe ser reconhecidos os direitos da pessoa, entre os quais e primeiro de todos, o direito inviolável de cada ser humano inocente à vida” (EV 60). Assim, matar um ser humano é sinal de desvalorização da vida, que precisa ser protegida em toda e qualquer circunstâncias, independentemente de há quanto tempo e de como está existindo.
A CNBB dirige uma palavra de incentivo e reconhecimento a todos os deputados e deputadas que votaram pela vida dos nascituros, bem como aos Movimentos em Defesa da Vida e a todos e todas que, de alguma forma se empenham firmemente na difícil tarefa de promover e defender a vida humana, compreendida como dom de Deus e co-responsabilidade de todos, da concepção até sua morte natural.

Brasília, 10 de julho de 2008

+Dom Dimas Lara Barbosa

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Secretário Geral da CNBB

Novos Ordo 2.0


Fonte: www.creativeminorityreport.com

Do Telegraph londrino: Missa antiga em todas as paróquias




A 'Missa Antiga' em todas as paróquias



No último domingo,15 de junho de 2008, na catedral Westminster de Londres, Sé Primaz da Inglaterra, o Cardeal Dario Castrillon Hoyos, declarou que o papa deseja introduzir o “Rito Gregoriano” em todas as paróquias da Igreja Ocidental.

O presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei fez importantes declarações acerca do futuro das paróquias católicas e a implementação do motu proprio Summorum Pontificum, costumeiramente congelado e anulado por conta das ações dos bispos.

Após a entrevista coletiva
transcrita abaixo - por Damian Thompson, do diário londrino The Telegraph, um dos quatro jornalistas presentes na coletiva - o Cardeal rezou a primeira Missa Solene Pontífícia na Catedral Londrina desde a reforma litúrgica, há quase 40 anos.

O Cardeal Murphy O’Connor – primaz da Inglaterra – não estava presente, apesar de enviar uma carta de boas-vindas, um tanto fria. Nenhum de seus bispos auxiliares compareceu.

O anúncio de que o Papa quer o retorno da missa tradicional em todas as paróquias, feito pelo Cardeal surpreende todos os católicos que acompanham com apreensão e cuidado todo o desenvolvimento da questão litúrgica que aflige a Igreja no pós-concílio.


Reuters: Em algumas partes do mundo parece existir resistência por parte dos bispos locais em permitir aos fiéis plena liberdade para celebrar a forma extraordinária. O que você recomenda a esses fiéis fazerem?

Cardeal Castrillon: A estarem informados. Muitas das dificuldades surgem porque eles não conhecem a realidade do Rito Gregoriano – esse é o nome correto da forma extraordinária, pois essa missa nunca foi proibida, nunca. Hoje para muitos bispos é difícil porque eles não têm padres que saibam latim. Muitos seminaristas dedicam muito poucas horas ao latim – insuficientes para dar a necessária preparação para celebrar de boa maneira a Forma Extraordinária. Outros pensam que o Papa está indo contra o Concílio Vaticano II. Isso é ignorância absoluta. Os padres do Concílio nunca celebraram a Missa de outra maneira que não a gregoriana. Ele [o novus ordo] veio depois do Concílio… O Santo Padre, que é um teólogo e que estava na preparação do Concílio, está atuando exatamente conforme o Concílio, dando liberdade aos diferentes tipos de celebração. Essa celebração, a Gregoriana, foi a celebração da Igreja durante mais de mil anos… Outros dizem que não podem celebrar com as costas para o povo. Isso é ridículo. O Filho de Deus sacrificou-se ao Pai com seu rosto voltado ao Pai. Não é contra o povo. É pelo povo…

Damian Thompson (Telegraph): Eminência, o Santo Padre gostaria de ver as paróquias comuns da Inglaterra que não tem conhecimento do Rito Gregoriano, apresentadas à ele?

Cardeal Castrillon: Sim, é claro. Nós não podemos celebrá-lo sem o conhecimento da língua, dos sinais, das jeitos do rito, e algumas instituições da Igreja estão ajudando nesse sentido.

DT: Então o Papa gostaria de ver muitas paróquias fornecendo o Rito Gregoriano?

Cardeal Castrillon: Não muitas – todas as paróquias, pois isso é um dom de Deus. Ele [o Rito] oferece essas riquezas e é muito importante para as novas gerações conhecer o passado da Igreja. Esse tipo de liturgia é tão nobre, tão bonito – a mais teológica das formas de expressar nossa fé. A liturgia, a música, a arquitetura, as pinturas, fazem um todo que é um tesouro. O Santo Padre está desejoso de oferecer a todas as pessoas essa possibilidade, não apenas para poucos grupos que pedem, mas para que todos conheçam essa forma de se celebrar a eucaristia na Igreja Católica.

Anna Arco (The Catholic Herald): Nesse sentido, gostaria de ver todos os seminários da Inglaterra e Gales ensinando os seminaristas a celebrar na forma extraordinária?

Cardeal Castrillon: Eu gostaria e será necessário. Nós estamos escrevendo aos seminários, estamos de acordo que devemos fazer uma grande preparação não apenas para o Rito, mas para ensinar a teologia, a filosofia, a língua latina….

DT: Quais seriam os passos práticos para as paróquias ordinárias [para se preparar para o Rito Gregoriano]?

Cardeal Castrillon: Se o pároco reserva uma hora aos domingos para celebrar a Missa e preparar com catequese a comunidade para compreendê-lo, apreciar o poder do silêncio, o poder da sagrada forma de frente para Deus, a profunda teologia, para descobrir como e por que o padre representa Cristo e rezar com o padre.

EC: Eminência, eu penso que muitos católicos estão mais que confusos por essa nova ênfase no Rito Tridentino, principalmente porque nós fomos ensinados que o Novo Rito representava um progresso verdadeiro, e muitos de nós que crescemos com ele o vemos como um progresso verdadeiro, que existam ministros da Eucaristia, mulheres no santuário, que somos todos sacerdotes, profetas e reis. Essa nova ênfase para muitos de nós parece negar isso.

Cardeal Castrillon: Que progresso? “Progredire” significa [oferecer] o melhor para Deus… Eu estou surpreso porque muitas pessoas jovens são entusiastas da celebração do Rito Gregoriano …

EC: No Motu Proprio, a ênfase do Papa é em um Rito e duas formas, e ele descreve o Rito Tridentino como “extraordinário”. Extraordinário portanto significa excepcional, algo que não celebramos todo domingo.

Cardeal Castrillon: Não “excepcional”. Extraordinário significa “não ordinário”, e não “excepcional”.

DT: Existirá um esclarecimento sobre o Motu Proprio?

Cardeal Castrillon: Não exatamente um esclarecimento do Motu Proprio, mas de matérias tratadas no Motu Proprio, tais como o calendário, ordenações ao sub-diaconato, a forma de usar os paramentos, o jejum eucarístico.

DT: E quanto ao “grupo estável”?

Cardeal Castrillon: Isso é uma matéria de senso comum… Em todo palácio episcopal existem talvez três ou quatro pessoas. Isso é um grupo estável…. Não é possível dar a duas pessoas uma missa, mas duas aqui, duas ali, duas acolá – eles podem tê-la. Eles são um grupo estável.

DT: De paróquias diferentes?

Cardeal Castrillon: Sem problema! Esse é o nosso mundo. Gerentes de empresas não vivem no mesmo lugar, mas eles são um grupo estável.

Taí! O Vaticano II e toda a conjuntura que adveio dele não pára de trazer à tona novos desenlaces. Aqueles que se viram como vencedores vão tomando conhecimento de tão efêmera vitória e vêem o papa como um retrógrado. E os que são os herdeiros do Coetus Internationalis Patrum, grupo encabeçado por Sigaud, Lefebvre e Castro Mayer, e que lutou contra as "aberturas litúrgicas" no concílio, além de outras coisas, acham que o papa também é um retrógrado, mas para aonde a Igreja nunca deveria ter saído.
O que o papa oferece não é "um presente" para os lefebvristas, nem um retrocesso ao pré-Vaticano II (conceito utilizado por mim apenas como marco cronológico), como querem os progressistas, mas uma possibilidade para que os cristãos conheçam sua história a partir de uma liturgia que foi ordinária por mil anos que é sim, riquíssima e bela. Tornar as costas para ela a partir simplesmente de um discurso que afirma que "aquilo" é velho e cacarento, além de negá-lo para afirmar o sincretismo, não covence e não convém. O rito gregoriano também é carregado de seus sincretismos. Agora, o epíteto usado por João XXIII para designar aqueles que viam na modernidade só erros, os "profetas da desgraça", poderá ser utilizado por outro grupo: o daqueles que vêem nas atitudes de Bento XVI um retrocesso que levará a Igreja às ruínas. Ótimo momento para discutirmos as hermenêuticas da continuidade e da descontinuidade.