Vatican II: did anything happen?


Mais um livro, by Amzon.com, chega às minhas mãos. SCHULTENOVER, David G. (edited). Vatican II. Did anything happen? New York: Continuum, 2007. Como se vê pelo título, o livro, que é uma coletânea de artigos de vários estudiosos sobre o polêmico concílio, deixa bem claro: nada aconteceu a partir do Vaticano II? Tal pergunta nos leva a inferir que os artigos que a obra contém são marcados pela defesa da hermenêutica da descontinuidade. Tal hermenêutica foi, e ainda é, hegemônica dentro da Igreja, principalmente na Igreja latino-americana marcada pelo ranço da teologia da libertação. Defendida principalmente pelos historiadores de Bologna, especialmente Giuseppe Alberigo, com a sua História do Concílio Vaticano II em cinco volumes (no Brasil saiu só os dois primeiros pela editora Vozes. Por que? Ninguém quer ler tal história. Na verdade, é preciso ter muita disposição mental para tal tarefa), a leitura descontínua vêm tomando suas bordoadas. (Confiram, por exemplo, o discurso do papa Bento XVI aos cardeais no Natal de 2005). Dessa forma, o livro que apresento vêm com a marca indelével da defesa da descontinuidade. O Vaticano II é evento (eles se baseam nos textos de Pierre Nora sobre a "volta do evento") que irrompe na história e a partir dele tudo se renova, tudo se vivifica, é uma Igreja nova que nasce. Tal hermenêutica vai ser utilizada tanto pelos progressistas radicais como pelos ultra-conservadores (os primeiros para o bem, os segundo para o mal e a perdição). No livro, encontramos, por exemplo, o artigo do padre Joseph Komonchak, Vatican as an "event". O padre foi o organizador da edição americana da "História do Concílio..." de Bologna. O que não consigo compreender é que o debate em torno da hermenêutica do concílio parece um diálogo de surdos. Um defende de cá, o outro rebate de lá. Creio que assim não é possível construir uma compreensão mais clara de evento tão importante para nós católicos. E que é preciso. Pela nossa sobrevivência como cristãos. Bem, aqui o que interessa é uma apresentação da obra. Só uma observação: o nome da editora é Continuum. Peculiar para um livro "descontinuum"... Hehehe...
Sobre as interpretações do concílio logo sai um artigo meu em uma revista e posto aqui para todos.

2 comentários:

Andrea disse...

Ah, sim, esse assunto do Vaticano II é polêmico mesmo, hein? Eu tinha lá minhas desconfianças (enormes) quanto a este concílio, pois a gente ouve aqui e ali alguma coisa a resppeito, mas depois passei a entender a posição da Igreja e deixe o radicalismo de lado (eu era mais para o lado dos tradicionalsitas nessa questão).

Bom fim de semana, Rodrigo!

Abraço!

R. B. Canônico disse...

Eu tenho a impressão de que os excessos, tanto de um lado, como de outro, são frutos de um claro desalinhamento ao Magistério da Igreja. Felizmente a providência quis que tivéssemos um Papa do porte de João Paulo II, cujo pontificado foi fundamental para "organizar" um pouco da baderna pós-Concílio. Fundamental notar, ainda, que a baderna foi causada por pessoas, e não pelo Concílio - que trouxe luzes em vários pontos, como a chamada universal à santidade e o episcopado como sendo um grau do Sacramento da Ordem, por exemplo.

Abraços!