27sexta-feira,
Desculpas insuficientes, diz Vaticano
26quinta-feira,
Willianson desculpa-se
22domingo,
O Vaticano II em imagens
20sexta-feira,
19quinta-feira,
"Agitation croissante aux alentours du Concile"
Abaixo publico todo o "provável diálogo". Fiz uma tradução livre cortando algumas partes . Quem quiser pode conferir o original em italiano no site indicado.
Breve diálogo sobre o concílio, entre um mestre e um aluno
di Francesco Arzillo
O mestre (M.) é um professor de teologia sexagenário, moderadamente progressista, disposto a dialogar com todos; se irrita só com quem aparece pouco propenso a valorizar plenamente o concílio da sua juventude, que ele recorda nos tumultuosos anos de seminário.
O aluno (A.) é mais jovem e não um clérigo; é um pouco irreverente, nunca, porém, sobre o magistério eclesiástico; muitos o consideram um ultraconservador; mas mesmo os tradicionalistas o criticam porque consulta – mesmo se com cautela – os escritos teológicos de Henri de Lubac e defende sempre João XXIII e Paulo VI
–––––
M. – Oi! Sempre com um livro nas mãos. Vejamos um pouco a sua última aquisição.
A. – Ei-lo: “Quem tem medo do Vaticano II?”, organizado por Alberto Melloni e Giuseppe Ruggieri.
M. – Surpreendi-me.
A. – Mestre, vejo que não perdeu o hábito de sobrepor a psicanálise à teologia. Eu não tenho sentimento de culpa, ao menos sobre este ponto. Você sabe que tenho sempre aceito com todo o coração o Vaticano II. Como se pode falar hoje da Igreja sem a “Lumen gentium”? Ou da Revelação divina sem a “Dei Verbum”? ou da liturgia sem a “Sacrosanctum Concilium”?
M. – Então, aonde está o problema?
A. – O problema é esta interminável disputa sobre o Concílio, nesse intricadíssimo conflito de interpretações. Certo, os ensaios contidos nesse livro são bastante refinados, contém pontos interessantes, se confrontam com as indicações de Bento XVI. Mas...
M. – Mas?
A. – Eles me evocam a mente – ao menos em parte – ambientes, climas e lugares comuns daquela área católico-progressista que tende a fazer do Concílio um mito. Mas temporizo, não quero etiquetar os autores, uso um indicador ideal-típico e orientador.
M. – A verdade é que você diz que aceita o Concílio, mas com uma reserva mental, porque crítica quem luta pelo Concílio.
A. – Vejo que fala de uma batalha? Eis, propriamente este é o ponto, esta excitação de alguns durante e depois do Concílio, este clima de luta contínua, esta “agitation croissante aux alentours du Concile”: palavras não minhas mas do cardeal Henri de Lubac. E depois este modo de contar a história! A famosa “semana negra”... Mas o que significa? Qual é o valor heurístico desta expressão? Nenhum! Se leio a memória de um ajudante de campo de Napoleão em Waterloo posso compreender que fala de “dias negros”; mas de um historiador contemporâneo, esperava um tom mais calmo, que me faça entender. Ainda de Lubac, no seu livro "Entretien autour de Vatican II", publicado em 1985, fala de uma “linguagem histórico-maniquéia” “qui sous un mode mineur s'est assez largement répandu". Ou não te vai mais bem de Lubac, aquele que sempre me disse com indesconfiável admiração?
M. – Uma historiografia neutra não existe
A. – Sim, mas é bom ao menos ser pacato. E, de qualquer forma, falo de uma supervalorização que não é só autobiográfica e historiográfica. Mas é também filosófica, ousaria dizer.
M. – O que é?
A. - Veja, tomemos como exemplo o problema do “espírito” e da “letra”.
M. – Não vai me dizer que os documentos conciliares deveriam ser lidos somente segundo a letra!
A. – Porque quer banalizar o discurso? É verdade que a letra tem que ser sempre levada em consideração, mas não é, de qualquer forma, suficiente para uma hermenêutica completa. Sobre isto concordam os juristas romanos Celso e São Paulo. O que me basta.
M. – E então?
A. – Depende do que entendemos como “espírito”. Quem entra em jogo na supervalorização. Tome por exemplo Hegel a Jena. Era claramente sobrevalorizado: em Napoleão via a História que passa a cavalo... Recorde aquele passo da “Lições di Jena”, que não por acaso foi também citado do negativista Kojève aquele escrito da sua “Introdução a leitura de Hegel”? Recorda o tom? “Senhores! Encontramo-nos em uma época importante, em um fermento no qual o Espírito fez um passo avante. Superou a sua precedente forma concreta e adquiriu uma nova...”. Eis, quando eu leio certos teólogos, certos historiadores de hoje, não posso fazer menos do que pensar naquele tom ali.
M. – Você insinua, alude e não conclui. Não é pois uma questão de tom!
A. – Não está me dizendo até que ponto se trate somente de tom, ou de legítima assunção de pontos teóricos, ou de capitulação à lógica imanentista. Cada autor é diverso do outro.
M. – Voltemos ao Concílio. Você cita o jurista romano Celso, insiste sobre o texto, e negligencia o evento.
A. – Outra palavra-chave: o evento. Hegel? Heidegger? Pareyson?
M. – Mas deixe os filósofos!
A. – Não deixo nada! Vocês teólogos de hoje conhecem pouco a filosofia, querem fazer uma teo-logia sem “logos”, a-filosofia ou trans-filosofica. Mas frequentemente é só retórica. E depois a coisa pior é aquela de ser influenciados por Hegel sem nem mesmo ser conscientes disso. Se Hegel estivesse entre nós estaria surpreso pelo grande número de seus descendentes intelectuais, dos filhos... [...] É difícil encontrar algum que não salte de São Tomás a Rahner, omitindo aquilo que está no meio! Hoje se pode diplomar em teologia sem saber, nem mais ou menos, nada de Scoto, de Suarez, de Melchior Cano, de Caietano. Pergunte a dez recém-formados se ouviram alguma vez falar de Scheeben, e diga-me se encontra mais de um par que te respondam afirmativamente.
M. – Agora está exagerando.
A. – Tem razão. Acalmo-me.
M. – O evento! Pense a teologia, pense a “Dei Verbum”: Deus se revela através de eventos e palavras intimamente conhecidas entre eles...
A. – Claro que penso a teologia! Penso na Revelação divina culminante em Cristo, na qual Deus nos disse tudo. Essa é completa, mesmo se não ainda completamente explicitada, como recorda o Catecismo no parágrafo 66. E depois o parágrafo 83: a tradição “vem dos apóstolos e transmite o que estes receberam do ensinamento e do exemplo de Jesus e o que receberam por meio do Espírito Santo”. Seria errôneo pensar em uma evolução histórica. Não é a realidade revelada por Deus que se modifica ou se evolue; é a inteligência de quem crê que cresce aprofundando-se. Se isto é verdade, o Evento único é Cristo, não existe uma idade do Espírito que supera aquela de Cristo.
M. – Poupe-me a história de Gioacchino da Fiore, por favor.
A. – E porque não? Se queremos propriamente procurar o evento epocal pensemos
M. – Mas a historiografia franciscana é complexa. É preciso levar em conta a política de São Boaventura ao narrar a história do fundador...
A. – Mas qual política! Já este uso do termo, referido a um âmbito que um medieval não teria nunca qualificado como “político” [...] porque é fruto de uma má hermenêutica. Se leio os eventos teológicos, filosóficos e jurídicos daquele tempo com a lente do panpoliticismo moderno, se considera “político” todo âmbito do real. Belo modo de calar-se em uma outra época, da parte de quem fala em continuação da história e de historicidade!
M. – Resumindo: onde quer chegar?
A. – Quero só dizer que devemos acabar com essa história de evento epocal. Não existem eventos epocais, em estreito rigor lógico e teológico. Aquela de evento epocal arrisca-se a ser só uma retórica boa para a “mobilização”, uma forma de cripto-ideologia.
M. – Mas o que quer? O eterno retorno do mesmo?
A. – Não. Agostinho demonstrou que o ciclo pagão foi superado para sempre. Trata-se, aliás, de saber ver o Eterno no tempo, que abre um ponto no tempo, “aquele” ponto no tempo, encarnando-se.
M. – Você voltou...
A. – Retorno às fontes. E a Fonte.
M. – Mas o Evento único revive hoje ou não?
A. – Ele é completo. O tempo é completo, veja Marcos 1,15. Mesmo se esperamos sua plena manifestação.
M. – E o Concílio Vaticano II? Te ajuda ou não no caminho?
A. – Claro que me ajuda! Ele, porém, pressupõe o Evento único e a sua definição dogmática irreversivelmente completa nos primeiros sete concílios ecumênicos. Entende que não posso pensar em um evento que “de-calcedoniza” Cristo – isto é, lhe tire aquilo que foi definido dele em Calcedônia – para inculturá-lo na modernidade.
M. – Mas ninguém quer isso!
A. – Aparentemente quase ninguém. Certamente não quer o Vaticano II, que não desejou inovar a fé, como sustentam especularmente, com escopos opostos, as versões extremas do tradicionalismo e do progressismo. Mas pergunto, porém, quanto arianismo tendencial e virtual está hoje em giro, quanto querem humanizar Jesus. Penso por exemplo nos críticos da “Dominus Iesus”, que em 2000, quis relembrar o abc da cristologia. Pergunto-me: quem tem medo dos concílios de Nicéia, de Éfeso, de Calcedônia?
A. – Não. Mas me parece que hoje estão em jogo os fundamentos da fé [...]
M. – Chega, estou cansado. Volto pra casa e leio alguma coisa do meu livro Jornada de uma alma, de Ângelo Giuseppe Roncalli.
Duas recensões sobre o livro podem ser lidas aqui.
17terça-feira,
Paulo VI e a hermenêutica contínua

"Mas, atenção! Os ensinamentos do Concílio não constituem um sistema orgânico e completo da doutrina católica. Esta, como todos sabem, é muito mais ampla, e não é posta em questão pelo Concílio, nem substancialmente modificada. Muito antes, confirma-a o Concílio, pôe-na em luz, defende-a e desenvolve-a, constitui uma apologia dela particularmente autorizada, transbordante de sabedoria, de vigor e de confiança. E este aspecto doutrinal do Concílio é que devemos em primeiro lugar salientar para honra da Palavra de Deus, que permanece sem equívoco e para todo o sempre, qual luz que não se apaga, e para conforto de nossas almas, que, pela voz clara e solene do Concílio, sentem o papel providencial que Cristo confiou ao magistério vivo da Igreja, em mira a preservar, a defender e a interpretar o ‘depósito da fé’. Não devemos dissociar os ensinamentos do Concílio do patrimônio doutrinal da Igreja, senão, antes, ver como eles se inserem neste, como são coerentes com ele, e como o seu contributo constitui, para esse patrimônio, ao mesmo tempo um testemunho, um desenvolvimento, uma explicação, uma aplicação. Então, até mesmo as ‘novidades’ doutrinárias ou normativas do Concílio aparecem em suas justas proporções, já não suscitam objeções concernentes à fidelidade da Igreja à sua função de ensinar, e adquirem esse verdadeiro significado que a faz resplandecer de uma luz superior. Não estaria, pois, na verdade os que pensasse, que o Concílio representa, em relação ao ensino tradicional da Igreja, uma separação, uma ruptura ou mesmo no dizer de alguns, uma liberação, ou que o Concílio autoriza e promove um conformismo de facilidade com a mentalidade de nosso tempo [...]”.
Hans Küng: que Bento XVI se demita!

16segunda-feira,
Geraldo de Proença Sigaud fala à Veja em 1970



Cariello e o concílio
12quinta-feira,
Palavras de Bento XVI aos judeus
Aqui alguns jornais que noticiaram as palavras do papa: Il Tempo, El País, Corriere.
Eis o texto:
"CONFERENCE OF PRESIDENTS OF MAJOR AMERICAN JEWISH ORGANIZATIONS"
Alle ore 11.50 di questa mattina, nella Sala del Concistoro del Palazzo Apostolico Vaticano, il Santo Padre Benedetto XVI riceve in Udienza i Membri della Delegazione della "Conference of Presidents of Major American. Jewish Organizations" e rivolge loro il discorso che pubblichiamo qui di seguito:
DISCORSO DEL SANTO PADREDear Friends,
I am pleased to welcome all of you today, and I thank Rabbi Arthur Schneier and Mr Alan Solow for the greetings they have addressed to me on your behalf. I well recall the various occasions, during my visit to the United States last year, when I was able to meet some of you in Washington D.C. and New York. Rabbi Schneier, you graciously received me at Park East Synagogue just hours before your celebration of Pesah. Now, I am glad to have this opportunity to offer you hospitality here in my own home. Such meetings as this enable us to demonstrate our respect for one another. I want you to know that you are all most welcome here today in the house of Peter, the home of the Pope.
I look back with gratitude to the various opportunities I have had over many years to spend time in the company of my Jewish friends. My visits to your communities in Washington and New York, though brief, were experiences of fraternal esteem and sincere friendship. So too was my visit to the Synagogue in Cologne, the first such visit in my Pontificate. It was very moving for me to spend those moments with the Jewish community in the city I know so well, the city which was home to the earliest Jewish settlement in Germany, its roots reaching back to the time of the Roman Empire.
A year later, in May 2006, I visited the extermination camp at Auschwitz-Birkenau. What words can adequately convey that profoundly moving experience? As I walked through the entrance to that place of horror, the scene of such untold suffering, I meditated on the countless number of prisoners, so many of them Jews, who had trodden that same path into captivity at Auschwitz and in all the other prison camps. Those children of Abraham, grief-stricken and degraded, had little to sustain them beyond their faith in the God of their fathers, a faith that we Christians share with you, our brothers and sisters. How can we begin to grasp the enormity of what took place in those infamous prisons? The entire human race feels deep shame at the savage brutality shown to your people at that time. Allow me to recall what I said on that sombre occasion: "The rulers of the Third Reich wanted to crush the entire Jewish people, to cancel it from the register of the peoples of the earth. Thus the words of the Psalm, ‘We are being killed, accounted as sheep for the slaughter’, were fulfilled in a terrifying way."
Our meeting today occurs in the context of your visit to Italy in conjunction with your annual Leadership Mission to Israel. I too am preparing to visit Israel, a land which is holy for Christians as well as Jews, since the roots of our faith are to be found there. Indeed, the Church draws its sustenance from the root of that good olive tree, the people of Israel, onto which have been grafted the wild olive branches of the Gentiles (cf. Rom 11: 17-24). From the earliest days of Christianity, our identity and every aspect of our life and worship have been intimately bound up with the ancient religion of our fathers in faith.
The two-thousand-year history of the relationship between Judaism and the Church has passed through many different phases, some of them painful to recall. Now that we are able to meet in a spirit of reconciliation, we must not allow past difficulties to hold us back from extending to one another the hand of friendship. Indeed, what family is there that has not been troubled by tensions of one kind or another? The Second Vatican Council’s Declaration Nostra Aetate marked a milestone in the journey towards reconciliation, and clearly outlined the principles that have governed the Church’s approach to Christian-Jewish relations ever since. The Church is profoundly and irrevocably committed to reject all anti-Semitism and to continue to build good and lasting relations between our two communities. If there is one particular image which encapsulates this commitment, it is the moment when my beloved predecessor Pope John Paul II stood at the Western Wall in Jerusalem, pleading for God’s forgiveness after all the injustice that the Jewish people have had to suffer. I now make his prayer my own: "God of our fathers, you chose Abraham and his descendants to bring your Name to the Nations: we are deeply saddened by the behaviour of those who in the course of history have caused these children of yours to suffer, and asking your forgiveness we wish to commit ourselves to genuine brotherhood with the people of the Covenant" (26 March 2000).
The hatred and contempt for men, women and children that was manifested in the Shoah was a crime against God and against humanity. This should be clear to everyone, especially to those standing in the tradition of the Holy Scriptures, according to which every human being is created in the image and likeness of God (Gen 1:26-27). It is beyond question that any denial or minimization of this terrible crime is intolerable and altogether unacceptable. Recently, in a public audience, I reaffirmed that the Shoah must be "a warning for all against forgetfulness, denial or reductionism, because violence committed against one single human being is violence against all" (January 28, 2009).
This terrible chapter in our history must never be forgotten. Remembrance — it is rightly said — is memoria futuri, a warning to us for the future, and a summons to strive for reconciliation. To remember is to do everything in our power to prevent any recurrence of such a catastrophe within the human family by building bridges of lasting friendship. It is my fervent prayer that the memory of this appalling crime will strengthen our determination to heal the wounds that for too long have sullied relations between Christians and Jews. It is my heartfelt desire that the friendship we now enjoy will grow ever stronger, so that the Church’s irrevocable commitment to respectful and harmonious relations with the people of the Covenant will bear fruit in abundance.
11quarta-feira,
Hemorragia de fiéis em Áustria
E o dossier? Notícia alguma na mídia
E mais uma: nem sinal de notícia sobre o afastamento de Richard Willianson do seminário da FSSPX que comandava na Argentina. "Cosa succede?!", diríam os italianos. Sei lá! Mas muita coisa virá à tona. Ou nada.
10terça-feira,
Complô contra Bento XVI?
Segundo Rodari, a jornalista francesa Fiammetta Venner (ativista do movimento homossexual francês e abortista), sugeriu ao repórter Ali Fegan, sabendo do negacionismo de Willianson, a fazer perguntas sobre a questão dos judeus na Segunda grande Guerra. O dossier, para Rodari, aponta que houve colaboração de dentro do Vaticano para que a entrevista de Willianson saísse exatamente nos mesmos dias que sairía o decreto, desacreditando o papa Bento XVI.
Para Tornielli o dossier que é amplamente lido no Vaticano deixa entender que o que ocorreu nos dias passados não foi só fruto de uma série de coincidências.
O Le Monde traz uma entrevista com a própria Fiammetta Venner.
9segunda-feira,
Willianson afastado da direção de seminário
8domingo,
Desorganização na cúria
No The Tablet, David Willey afirma: "In three decades of covering Vatican matters, I have never seen a communications debacle comparable to the one that has arisen over Pope Benedict’s revoking of the excommunication decree handed down by 21 years ago by Pope John Paul II against the illegally consecrated bishops of the breakaway group led by the late Bishop Marcel Lefebvre."
6sexta-feira,
Rumores sobre o diálogo entre anglicanos e católicos
5quinta-feira,
Mais uma pedra sobre a hermenêutica descontínua: a nova manobra de Bento XVI

Do jornal O Lutador
Não poderia ser diferente agora. Um dia antes do aniversário de 50 anos da convocação do Vaticano II, Bento XVI toma mais uma atitude que faz alguns soltarem fogo pelas ventas, como diriam alguns. O papa, na esteira das conversações com Bernard Fellay, o capo da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), e da promulgação do moto proprio Summorum Pontificum em julho de 2007, que possibilita aos padres e fiéis usufruírem da forma “extraordinária” do rito romano, ou seja, a dita “missa tridentina”, agora, levanta a excomunhão perpetrada sobre os quatro padres da FSSPX que foram sagrados bispos por Marcel Lefebvre e Antônio de Castro Mayer (Campos) em
Os anos se passaram e Bernard Fellay, o responsável atual pela FSSPX, decidiu tentar uma reaproximação com Roma e desde o ano retrasado, principalmente depois da Summorum Pontificum, escutam-se rumores de que Bento XVI tomaria posições em favor da Fraternidade. Passeando por sites especializados em notícias do Vaticano e lendo alguns jornais que repercutiram a notícia, nota-se que as interpretações sobrepõem-se. A mais comum é aquela que defende que essa posição do papa demonstra mais uma vez seu ímpeto conservador e a sua “quedinha” pelos tradicionalistas. Pode até ser. Mas prefiro pensar que a atitude se insere numa perspectiva mais complexa dos movimentos da Igreja nesse início de século e milênio. Tento fazer-me entendido: Bento XVI, desde sua ascensão ao trono papal, insiste que a crise pela qual a Igreja Católica atravessa no “pós-concílio” (termo que abomina) é fruto, principalmente, da hermenêutica da descontinuidade que se impôs nas interpretações sobre o Vaticano II nesses seus cinquenta anos. Entender o concílio como um novo começo seria separar a Igreja de sua história. Também essa visão teve sucesso no campo litúrgico. A idéia de que o “Missal de Paulo VI” estava em oposição ao antigo missal, publicado pela última vez por João XXIII em 1962, inseria a idéia de ruptura também na liturgia. Tal idéia, que tem como pano de fundo a hermenêutica descontínua, é celebrada tanto por tradicionalistas como por progressistas. “Não podemos dar um passo a trás e voltarmos para a missa tridentina, seria a negação completa do concílio”, diriam os últimos. “É inaceitável o ‘Missal de Paulo VI’, que rompe com a tradição secular da Igreja”, diriam os primeiros. O que o papa Ratzinger parece procurar é, a partir das questões litúrgicas, perpassadas também indiscutivelmente por tensões teológicas, demonstrar que na liturgia não existe rupturas, mas sim um caminho evolutivo. Com o levantamento das excomunhões, Bento XVI parece colocar mais uma pedra em cima das interpretações descontínuas do Vaticano II. Terá sucesso? A história mostrará.
4quarta-feira,
Nota da Secretaria do Estado do Vaticano
A seguito delle reazioni suscitate dal recente Decreto della Congregazione per i Vescovi, con cui si rimette la scomunica ai quattro Presuli della Fraternità San Pio X, e in relazione alle dichiarazioni negazioniste o riduzioniste della Shoah da parte del Vescovo Williamson della medesima Fraternità, si ritiene opportuno chiarire alcuni aspetti della vicenda.
1. Remissione della scomunica.
Come già pubblicato in precedenza, il Decreto della Congregazione per i Vescovi, datato 21 gennaio 2009, è stato un atto con cui il Santo Padre veniva benignamente incontro a reiterate richieste da parte del Superiore Generale della Fraternità San Pio X.
Sua Santità ha voluto togliere un impedimento che pregiudicava l’apertura di una porta al dialogo. Egli ora si attende che uguale disponibilità venga espressa dai quattro Vescovi in totale adesione alla dottrina e alla disciplina della Chiesa.
La gravissima pena della scomunica latae sententiae, in cui detti Vescovi erano incorsi il 30 giugno 1988, dichiarata poi formalmente il 1° luglio dello stesso anno, era una conseguenza della loro ordinazione illegittima da parte di Mons. Marcel Lefebvre.
Lo scioglimento dalla scomunica ha liberato i quattro Vescovi da una pena canonica gravissima, ma non ha cambiato la situazione giuridica della Fraternità San Pio X, che, al momento attuale, non gode di alcun riconoscimento canonico nella Chiesa Cattolica. Anche i quattro Vescovi, benché sciolti dalla scomunica, non hanno una funzione canonica nella Chiesa e non esercitano lecitamente un ministero in essa.
2. Tradizione, dottrina e Concilio Vaticano II.
Per un futuro riconoscimento della Fraternità San Pio X è condizione indispensabile il pieno riconoscimento del Concilio Vaticano II e del Magistero dei Papi Giovanni XXIII, Paolo VI, Giovanni Paolo I, Giovanni Paolo II e dello stesso Benedetto XVI.
Come è già stato affermato nel Decreto del 21 gennaio 2009, la Santa Sede non mancherà, nei modi giudicati opportuni, di approfondire con gli interessati le questioni ancora aperte, così da poter giungere ad una piena e soddisfacente soluzione dei problemi che hanno dato origine a questa dolorosa frattura.
3. Dichiarazioni sulla Shoah.
Le posizioni di Mons. Williamson sulla Shoah sono assolutamente inaccettabili e fermamente rifiutate dal Santo Padre, come Egli stesso ha rimarcato il 28 gennaio scorso quando, riferendosi a quell’efferato genocidio, ha ribadito la Sua piena e indiscutibile solidarietà con i nostri Fratelli destinatari della Prima Alleanza, e ha affermato che la memoria di quel terribile genocidio deve indurre "l’umanità a riflettere sulla imprevedibile potenza del male quando conquista il cuore dell’uomo", aggiungendo che la Shoah resta "per tutti monito contro l’oblio, contro la negazione o il riduzionismo, perché la violenza fatta contro un solo essere umano è violenza contro tutti".
Il Vescovo Williamson, per una ammissione a funzioni episcopali nella Chiesa dovrà anche prendere in modo assolutamente inequivocabile e pubblico le distanze dalle sue posizioni riguardanti la Shoah, non conosciute dal Santo Padre nel momento della remissione della scomunica.
Il Santo Padre chiede l’accompagnamento della preghiera di tutti i fedeli, affinché il Signore illumini il cammino della Chiesa. Cresca l’impegno dei Pastori e di tutti i fedeli a sostegno della delicata e gravosa missione del Successore dell’Apostolo Pietro quale "custode dell’unità" nella Chiesa.
Dal Vaticano, 4 febbraio 2009
O Corriere Della Sera traz uma referência à nota.
3terça-feira,
Mensagem de Quaresma de Bento XVI
Queridos irmãos e irmãs!
No início da Quaresma, que constitui um caminho de treino espiritual mais intenso, a Liturgia propõe-nos três práticas penitenciais muito queridas à tradição bíblica e cristã – a oração, a esmola, o jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e deste modo fazer experiência do poder de Deus que, como ouviremos na Vigília pascal, «derrota o mal, lava as culpas, restitui a inocência aos pecadores, a alegria aos aflitos. Dissipa o ódio, domina a insensibilidade dos poderosos, promove a concórdia e a paz» (Hino pascal). Na habitual Mensagem quaresmal, gostaria de reflectir este ano em particular sobre o valor e o sentido do jejum. De facto a Quaresma traz à mente os quarenta dias de jejum vividos pelo Senhor no deserto antes de empreender a sua missão pública. Lemos no Evangelho: «O Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demónio. Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome» (Mt 4, 1-2). Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Êx 34, 28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (cf. 1 Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando se preparou para a sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.
Podemos perguntar que valor e que sentido tem para nós, cristãos, privar-nos de algo que seria em si bom e útil para o nosso sustento. As Sagradas Escrituras e toda a tradição cristã ensinam que o jejum é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da salvação é frequente o convite a jejuar. Já nas primeiras páginas da Sagrada Escritura o Senhor comanda que o homem se abstenha de comer o fruto proibido: «Podes comer o fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas o da árvore da ciência do bem e do mal, porque, no dia em que o comeres, certamente morrerás» (Gn 2, 16-17). Comentando a ordem divina, São Basílio observa que «o jejum foi ordenado no Paraíso», e «o primeiro mandamento neste sentido foi dado a Adão». Portanto, ele conclui: «O "não comas" e, portanto, a lei do jejum e da abstinência» (cf. Sermo de jejunio: PG 31, 163, 98). Dado que todos estamos estorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor. Assim fez Esdras antes da viagem de regresso do exílio à Terra Prometida, convidando o povo reunido a jejuar «para nos humilhar – diz – diante do nosso Deus» (8, 21). O Omnipotente ouviu a sua prece e garantiu os seus favores e a sua protecção. O mesmo fizeram os habitantes de Ninive que, sensíveis ao apelo de Jonas ao arrependimento, proclamaram, como testemunho da sua sinceridade, um jejum dizendo: «Quem sabe se Deus não Se arrependerá, e acalmará o ardor da Sua ira, de modo que não pereçamos?» (3, 9). Também então Deus viu as suas obras e os poupou.
No Novo Testamento, Jesus ressalta a razão profunda do jejum, condenando a atitude dos fariseus, os quais observaram escrupulosamente as prescrições impostas pela lei, mas o seu coração estava distante de Deus. O verdadeiro jejum, repete também noutras partes o Mestre divino, é antes cumprir a vontade do Pai celeste, o qual «vê no oculto, recompensar-te-á» (Mt 6, 18). Ele próprio dá o exemplo respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que «nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mt 4, 4). O verdadeiro jejum finaliza-se portanto a comer o «verdadeiro alimento», que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Portanto, se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor «de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal», com o jejum o crente deseja submeter-se humildemente a Deus, confiando na sua bondade e misericórdia.
Encontramos a prática do jejum muito presente na primeira comunidade cristã (cf. Act 13, 3; 14, 22; 27, 21; 2 Cor 6, 5). Também os Padres da Igreja falam da força do jejum, capaz de impedir o pecado, de reprimir os desejos do «velho Adão», e de abrir no coração do crente o caminho para Deus. O jejum é também uma prática frequente e recomendada pelos santos de todas as épocas. Escreve São Pedro Crisólogo: «O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum, portanto quem reza jejue. Quem jejua tenha misericórdia. Quem, ao pedir, deseja ser atendido, atenda quem a ele se dirige. Quem quer encontrar aberto em seu benefício o coração de Deus não feche o seu a quem o suplica» (Sermo 43; PL 52, 320.332).
Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus. Na Constituição apostólica Paenitemini de 1966, o Servo de Deus Paulo VI reconhecia a necessidade de colocar o jejum no contexto da chamada de cada cristão a «não viver mais para si mesmo, mas para aquele que o amou e se entregou a si por ele, e... também a viver pelos irmãos» (Cf. Cap. I). A Quaresma poderia ser uma ocasião oportuna para retomar as normas contidas na citada Constituição apostólica, valorizando o significado autêntico e perene desta antiga prática penitencial, que pode ajudar-nos a mortificar o nosso egoísmo e a abrir o coração ao amor de Deus e do próximo, primeiro e máximo mandamento da nova Lei e compêndio de todo o Evangelho (cf. Mt 22, 34-40).
A prática fiel do jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor. Santo Agostinho, que conhecia bem as próprias inclinações negativas e as definia «nó complicado e emaranhado» (Confissões, II, 10.18), no seu tratado A utilidade do jejum, escrevia: «Certamente é um suplício que me inflijo, mas para que Ele me perdoe; castigo-me por mim mesmo para que Ele me ajude, para aprazer aos seus olhos, para alcançar o agrado da sua doçura» (Sermo 400, 3, 3: L 40, 708). Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da sua palavra de salvação. Com o jejum e com a oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus.
Ao mesmo tempo, o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos. Na sua Primeira Carta São João admoesta: «Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o amor de Deus?» (3, 17). Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Precisamente para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajo as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola. Foi este, desde o início o estilo da comunidade cristã, na qual eram feitas colectas especiais (cf. 2 Cor 8-9; Rm 15, 25-27), e os irmãos eram convidados a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado (cf. Didascalia Ap., V, 20, 18). Também hoje esta prática deve ser redescoberta e encorajada, sobretudo durante o tempo litúrgico quaresmal.
De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: «Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes».
Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc. Veritatis splendor, 21). A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo. Penso em particular num maior compromisso na oração, na lectio divina, no recurso ao Sacramento da Reconciliação e na participação activa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical. Com esta disposição interior entremos no clima penitencial da Quaresma. Acompanhe-nos a Bem-Aventurada Virgem Maria, Causa nostrae laetitiae, e ampare-nos no sforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para o tornar cada vez mais «tabernáculo vivo de Deus». Com estes votos, ao garantir a minha oração para que cada crente e comunidade eclesial percorra um proveitoso itinerário quaresmal, concedo de coração a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 11 de Dezembro de 2008.
BENEDICTUS PP. XVI
2segunda-feira,
Últimas sobre os lefebvristas
Na revista inglesa The Tablet, Robert Mickens reflete sobre a "Benedict's high risk strategy". Em uma de suas frases afirma: "It seems that he was also acting on his own initiative and did not widely consult other bishops - with the notable exception of Cardinal Darío Castrillón Hoyos."
No site progressista Adista é possível ler um clipping de posições de alguns estudiosos, incluindo o de Alberto Melloni do Istituto per Le Scienze Religiose di Bologna. Também segue algumas palavras de Andrea Riccardi, entre outros.
No Golias.fr notícia quente: o papa está próximo de conceder à FSSPX status de prelazia pessoal. O site afirma que a reintegração pode vir amanhã mesmo.
Aqui um site que também comenta o caso. Muito interessante seu texto em que analisa as hermenêuticas do Vaticano II. Achei-o no Frates in Unum, onde tem um dossiê completo sobre o assunto.