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Crise financeira na Radio Vaticano
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23sábado,
História do pensamento católico no Brasil: campo a ser desbravado
* Fui alertado por um amigo muito atento (veja nos comentários) o esquecimento de uma importante obra sobre a história da religião no Brasil. É a História das Idéias Religiosas no Brasil, de João Camillo de Oliveira Torres.
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Pope2you
20quarta-feira,
Vaticano II: “esse obscuro objeto de desejo”

Do jornal O Lutador, 21 de maio 2009
Peço licença aos leitores para uma divagação teórica sobre, mais uma vez, o Concílio Vaticano II, uma de minhas obsessões profissionais. Nesses quase 50 anos de recepção as discussões crescem, tornam-se quase lutas fratricidas, e exigem um olhar mais cuidadoso sobre as questões. O filósofo e medievalista alemão Kurt Flasch publicou um texto no jornal francês Le Monde afirmando que “o Vaticano II trouxe algo novo no que se refere à liberdade religiosa e à exegese bíblica, mas sem nada tirar do primado do bispo de Roma, nem do primado da jurisdição do papa. Para o Colégio episcopal, o concílio realizou viradas de pouca importância, teológico-cosméticas em suma, sem verdadeiros efeitos sobre o direito canônico. Uma enorme propaganda unida a uma colocação em cena espetacular, fizeram aparecer o Vaticano II mais revolucionário de quanto não tenha sido na realidade, e a central romana luta há décadas contra esta percepção, que é antes uma autopersuasão." Para Flasch ocorre, assim sendo, durante todos esses anos de recepção conciliar, uma “supervalorização” do concílio.
A tese defendida pelo alemão parece ter ressonâncias do pensamento do célebre historiador francês Emile Poulat, em seu Une Église ébranlée: changement, conflit et continuité de Pie XII á Jean-Paul II (Casterman), de 1980, e que trazia sua lúcida tese sobre os acontecimentos. No terceiro ponto do capítulo XIV, L'année des trois papes (1978), Poulat fala em "fim de uma tradição, persistência de um modelo”. Contrariamente do que crêem alguns tantos, o historiador diz que o Vaticano II não colocou em causa nem modificou substancialmente aquele modelo construído pelo Concílio de Trento e o Concílio Vaticano I no século XIX. Ele antes procedeu a reequilíbrios, confirmando aquisições e podando alguns galhos mortos. Discutindo historicamente, como o faz Poulat, nota-se que as "aquisições" e "podas" que nos diz referem-se a toda história anterior ao evento conciliar que, por isso mesmo, possibilitou a sua realização. Segundo o historiador francês, o modelo, que ainda persiste mesmo com o acontecimento do concílio que visou um aggiornamento (atualização) da Igreja, substancia-se em três pilares: 1) negação de uma autonomia do homem que prescinda de Deus; 2) incentivo à modernização da atuação dos católicos no meio social, contando que não coloque em questão a busca da “cidade cristã”; 3) negação e condenação do modernismo como assimilação sub-reptícia das autonomias políticas, sociais e culturais da modernidade. Para Poulat, esse modelo ainda vigora na Igreja romana e não sofreu abalos mais sérios, mesmo frente aqueles que os desejavam e o desejam.
Podemos deduzir que a “supervalorização” decorre de um mito, aquele no qual, a partir de uma leitura fictícia e ilusória dos eventos, carregados não raramente de pendões ideológicos à esquerda e à direita, "desejava" que fosse “dessa” ou “daquela maneira” os seus resultados. Esse "obscuro objeto de desejo", para lembrar o cineasta Buñuel, mistura as dimensões e já não se sabe mais o que é o evento, o que é a história do evento, o que o levou, o que veio dele e assim por diante. Dessa forma, falar do concílio é exercício de julgamento e de desejo. E aí parece que as duas ações têm uma relação promíscua. Tanto o desejar quanto o julgar mesclam-se com a idéia do "o que foi". Esse “o que foi” é inacessível pela sua natureza temporal. O que temos é a história efeitual, como nos falaria o filósofo Hans-Georg Gadamer em seu Verdade e Método. Analisando historicamente a partir do nosso locus, a questão que emerge são os efeitos como ponto no qual o olhar hermenêutico pode se ater. Nossa leitura do evento condiciona-se sim aos próprios efeitos que emanam como ondas por estes 50 anos de recepção. Sofremos os efeitos dos olhares, das compreensões, das interpretações, dos preconceitos que se acumularam por todos esses anos. E é também a partir dessa "massa efeitual" que se constituem mais elementos para compô-la e recompô-la. A “supervalorização” é um de seus efeitos.
Enquanto isso, em Notre Dame
19terça-feira,
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12terça-feira,
Bento XVI no Muro das Lamentações
10domingo,
Vaticano faz silêncio sobre filme, mas polêmica é preciso para marketing certeiro
8sexta-feira,
Bento XVI e o Islam
Texto de Damian Thompson livremente traduzido por Miles Ecclesia.
"No coração do pontificado de Bento XVI está a convicção de que os católicos devem adorar a Deus adequadamente. Ele quer sanar as feridas causadas pelo cruel repúdio dos liberais aos belos serviços em latim. Em 2007, ele repentinamente eliminou todas as restrições relativas à celebração da missa em latim celebrada antes do Vaticano II. Ele acredita que a liturgia antiga e a nova devem conviver lado a lado, se enriquecendo mutuamente.
Esta política tem alarmado uma geração de católicos de mais velhos (incluindo bispos) que foram levados a considerar o Vaticano II como um novo começo, um marco zero. E o Papa pagou um preço por sua falta de aliados no Vaticano: alguns cardeais procuraram explorar a crise.
No entanto, a nova geração está ao lado do Papa, pois os católicos praticantes mais jovens são surpreendentemente conservadores. Eles vêm o Papa como a figura de um avô que os está apresentando a antigos tesouros rejeitados por seus pais hippies. Atualmente Roma está cheia de seminaristas de preto inspirados por esse conservadorismo “beneditino”.
Há interessantes paralelos disso com o Islam. Bento não acredita que Cristianismo e Islamismo possam convergir teologicamente, mas ele compartilha uma compreensão com líderes muçulmanos que crêem que a força de uma comunidade religiosa repousa em suas tradições. Catolicismo liberal e Islamismo liberal têm uma coisa em comum: ambos têm sido pouco capazes de atrair seguidores.
Bento rejeita extremistas de todas as fés, mas ele também não se impressiona com uma religião diluída. E ele está curioso para aprender mais sobre como o Islam está convivendo com a modernização sem abrir mão de sua identidade porque ele está trilhando um caminho semelhante.
Sua visita ao Oriente Médio está repleta de dificuldades. Tantas coisas podem dar errado. Mas o Papa Bento XVI tem uma arma secreta: um charme profundo e autêntico que vence a timidez para conquistar amigos em lugares improváveis.
Quando ele era um velho cardeal, ele caminhava ao longo da Praça de São Pedro toda manhã. Ele não perambulava seguido por um comitê de conselheiros: com freqüência ele estava sozinho e muito satisfeito batendo papo com peregrinos, às vezes por vinte minutos. Este é o lado de Joseph Ratzinger que os muçulmanos, judeus e cristãos da Terra Santa estão para descobrir. Se será suficiente para produzir um triunfo diplomático, é o que vamos ver."